Estudo muda radicalmente o transporte público em Betim

O sistema de transporte público de Betim vai passar por uma mudança radical. Um estudo elaborado pela Tecnotran – consultoria especializada em engenharia de transporte –, a pedido da Transbetim, da Santa Edwiges e de cooperativas de transporte, propõe que o transporte municipal seja dividido em três áreas: uma em que poderão trafegar exclusivamente ônibus da Santa Edwiges, outra em que vão transitar somente as vans, e uma terceira área de livre acesso para coletivos e vans. Na prática, não existirá mais o transporte alternativo, legalizado na cidade há 14 anos, pelo prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), já que permissionários e Santa Edwiges assumirão, cada um, todo o transporte de duas diferentes regiões no município.

A área 1 vai englobar bairros como o Petrovale, PTB, Citrolândia, Marimbá, Icaivera e Bandeirinhas e ficará sob comando da Santa Edwiges. A área 2 será de responsabilidade dos permissionários e vai atuar no Imbiruçu, Teresópolis e Alterosas. Já a área de livre acesso será a região Central. Nesse caso, tanto vans como ônibus poderão trafegar. Com a alteração, haverá ainda a alteração de vários itinerários e de linhas de ônibus.

A mudança é polêmica e divide a opinião de quem depende do transporte público em Betim. “É preciso saber a quem essa mudança vai favorecer? Penso que quando não há concorrência, o serviço tende a piorar. Estão tirando da população a liberdade de escolher se quer utilizar a van ou o ônibus, dois tipos de transportes em Betim que vão de mal a pior”, criticou o gerente Douglas Rodrigues.

O especialista em trânsito, transportes e assuntos urbanos José Aparecido Ribeiro concorda. “Estão andando para trás. Em vez de criar novas alternativas de transporte para a população, como o monotrilho e o VLT (veículo leve sobre trilhos), estão limitando ainda mais as alternativas dos usuários. O que vai acontecer é a piora ainda maior do serviço e a migração dos usuários do transporte coletivo para o individual”, disse.

Já o engenheiro de transporte e trânsito Márcio Aguiar avaliou o estudo como inovador. “Hoje, existe uma superposição de linhas e uma concorrência predatória, o que cria uma anarquia na prestação do serviço. Com a mudança, isso tende a melhorar. Mas é preciso esperar a implantação para analisar os resultados”, ponderou.

Posicionamento

Segundo o presidente da Cooperativa dos Permissionários do Transporte Alternativo de Betim (Cooperbet), George Susuki, o projeto vai “racionalizar o sistema de transporte e reduzir o custo-benefício do serviço”. “A ideia é acabar com sobreposição de linhas, o que gera uma ‘briga’ pelo passageiro, reduzir viagens longas de veículos, diminuir a alta velocidade e melhorar o atendimento, sobretudo, para idosos e pessoas deficientes”. A reportagem entrou em contato com a Santa Edwiges, que não se pronunciou.

Já a Transbetim informou que “foram realizadas pesquisas com os usuários de todas as regiões do município para levantamento de dados e diagnóstico, que servirão como indicativos para nortear as ações a serem implementadas no projeto”. A Transbetim disse ainda que, após a conclusão, o mesmo será analisado para possível aprovação. “Todas as alterações nas linhas municipais serão previamente divulgadas”.

Audiência

Preocupados com o impacto que a alteração do sistema de transporte vai gerar, alguns vereadores propuseram a realização de uma audiência na Câmara. “Essa é uma mudança muito drástica e que vai afetar toda a população de Betim. É preciso que o estudo seja discutido com a população antes de ser implementado. Até onde sabemos, o novo sistema será implementado em novembro”, afirmou o vereador Antônio Carlos (PT).

O vereador Welinton Sandro de Abreu, o Sapão (PSB), concorda e chamou a atenção para outra questão. “Hoje, existem 177 vagas para os permissionários atuarem. Mas, para que eles consigam atender a demanda da região em que vão atuar, precisarão de mais veículos. Isso só é possível com a criação pela Transbetim de mais concessões”.

Atualmente, o processo licitatório das novas concessões do serviço de transporte público de baixa capacidade de Betim está suspenso pela Justiça, desde agosto. A decisão aconteceu após 18 mandados de segurança terem sido solicitados contra a Transbetim, alegando a existência de irregularidades no processo.

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