Estudantes ocupam duas escolas em Betim em protesto

Estudantes de duas escolas estaduais de Betim aderiram, nesta semana, ao movimento nacional de ocupação de instituições de ensino para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55 – antiga PEC 241, que cria um teto para os gastos públicos da União, e a proposta de reforma do Ensino Médio feita pelo governo federal. Com a ocupação, mais de dois mil alunos estão sem aulas na cidade.

A primeira escola ocupada foi a Tito Lívio, no bairro Chácara, cujo movimento começou na noite do último domingo (30). Quem chega à porta da instituição encontra os portões trancados e uma enorme faixa no alto com os dizeres “Ocupado”. Somente nesta escola, que oferece os ensinos fundamental e médio, cerca de mil alunos estão sem aula, já que a ocupação acontece nos três turnos.

“Decidimos ocupar a escola porque se a reforma do ensino médio for implantada e a PEC aprovada isso vai afetar não só nós, mas também a nova geração de estudantes. Essas mudanças vão retroceder a educação no país. Consideramos que deveria ter sido feita uma consulta popular para ouvir a opinião de quem realmente conhece a realidade do ensino público no país”, afirmou um dos organizadores do movimento, o aluno Paulo Henrique*.

Os estudantes disseram que têm se preocupado em manter a escola limpa e segura. “Fizemos a limpeza da escola. Os pais dos alunos que participam do movimento estão sempre presentes, inclusive vários deles dormem aqui com a gente e nos acompanham todos os dias. A nossa preocupação com a segurança também é constante. Por isso, a gente faz uma vistoria em todo o mundo que entra na escola para não correr o risco de entrarem aqui com drogas, ou qualquer outro tipo de material. Vamos manter a ocupação por tempo indeterminado”, afirmou Pedro Antônio*.

A última instituição a aderir ao movimento foi a Escola Estadual Cecília Meireles, no Laranjeiras, cuja ocupação começou na última quinta-feira (3). Mais de mil alunos do ensino médio estão sem aulas desde então.

“Convidamos todas as pessoas que estão criticando o nosso movimento para ver de perto como a ocupação é pacífica. Nossa intenção não é destruir a escola, mas lutar contra essas medidas que vão prejudicar o ensino”, afirmou Alexandre*.

Provas adiadas
Nesta semana, o Ministério da Educação informou que irá adiar a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nas escolas ocupadas.

O MEC só vai manter a prova neste fim de semana, nos dias 5 e 6 de novembro, nas instituições que foram desocupadas até segunda-feira (31).

Mas, segundo alunos das escolas estaduais Tito Lívio e Cecília Meireles, nenhuma das duas instituições serão afetadas com a medida, já que elas não são, de acordo com os estudantes, sedes para a realização do Enem.

A mudança de data de realização do Enem para 191 mil estudantes anunciada pelo MEC custará R$ 12 milhões aos cofres públicos. Os alunos terão a prova adiada para os dias 3 e 4 de dezembro deste ano.

A Secretaria Estadual de Educação informou que respeita a manifestação dos alunos e que está aberta ao diálogo.

Segundo a pasta, após definição, será estudada uma maneira de como serão respostas as aulas nas escolas ocupadas.

*Os nomes usados são fictícios para preservar a identidade dos alunos que são menores de idade.

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