Levantamento divulgado nesta semana revela dados alarmantes sobre o desempenho das escolas municipais de Betim, demonstrando a fragilidade do ensino fundamental na cidade. Isso porque, segundo o QEdu, portal que tem como base o rendimento escolar e as notas obtidas pelos alunos na Prova Brasil, aplicado pelo Ministério da Educação, em 2013 – ano em que o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) assumiu a prefeitura –, o ensino fundamental na cidade não alcançou a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que mede a qualidade da educação básica no Brasil.
De acordo com o estudo, os alunos betinenses dos anos iniciais, ou seja, do 1º ao 5º ano, receberam nota 5,5, índice abaixo da meta estipulada pelo Ideb, que é de 5,6. Já o desempenho dos alunos do 5º ao 9º ano foi ainda pior. A avaliação teve nota 4,5, sendo que a meta exigida é de 4,8.
Falta de domínio
Outros dados divulgados pelo portal QEdu são ainda mais preocupantes. Em matemática, por exemplo, apenas 13% dos alunos betinenses do 5º ao 9º ano terminam o ensino fundamental sabendo o que deveriam sobre a disciplina, ou seja, quase 90% dos estudantes não aprendem o esperado. É um retrocesso em relação à medição anterior, realiza em 2011, quando 17% dos estudantes desse período sabiam o esperado na mesma disciplina. Em Juatuba e em São Joaquim de Bicas, municípios vizinhos e com uma arrecadação bem inferior a de Betim, a segunda maior de Minas Gerais, a avaliação do domínio dos alunos do 5º ao 9º ano, em matemática foi bem superior, atingindo 21% e 24%, respectivamente.
Os maus resultados se estendem também a língua portuguesa. Em 2013, apenas 27% dos estudantes do 5º ao 9º ano demonstraram dominar os conteúdos esperados. Em 2011, o número chegou a 32%. Da mesma forma, na avaliação da mesma disciplina, Juatuba e São Joaquim de Bicas também se saíram melhor, e tiveram percentuais de 42% e 26%, respectivamente.
De acordo com uma diretora da rede municipal que preferiu não se identificar por medo de possíveis represálias, esse resultado ruim na educação municipal é reflexo da falta de investimento na capacitação e na valorização dos profissionais por parte do Poder Público. “Somente neste ano que intensificaram as capacitações, mesmo assim, ainda é pouco. Além disso, os profissionais admitidos por meio dos processos seletivos não têm experiência e assumem as salas de aula sem nenhuma capacitação pela gestão. Outra questão é a falta de valorização do profissional. O governo reduziu os salários, o que desmotivou ainda mais os profissionais e fez com que eles tenham que trabalhar em várias escolas. Também não há profissionais para substituir os que entram de férias ou os que entram de licença médica. Mas há também outros problemas, como a falta de participação da família na vida escolar”.
A reportagem tentou falar com o Sind-UTE, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta edição.
Resposta
A prefeitura não se posicionou sobre os dados divulgados pelo QEdu, relativos à Prova Brasil, em 2013. Como resposta, a administração divulgou resultados de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (Proeb) e do Programa de Avaliação da Alfabetização (ProAlfa), de 2015, em que, segundo eles, durante os últimos anos, houve melhorias na educação de Betim, inclusive em português e matemática.