Lixo e entulho amontoados em ruas, calçadas e lotes vagos, espaços públicos tomados por muito mato e sujeira nas principais avenidas da cidade. Quem anda por Betim tem convivido nos últimos meses com esse cenário de abandono e descaso. Para tentar fechar as contas no seu último mandato como prefeito de Betim – a dívida a longo prazo do município é estimada hoje em R$ 1 bilhão –, Carlaile Pedrosa (PSDB) iniciou uma série de cortes em serviços essenciais para a população. Além da saúde, que já sofre com a falta de medicamentos, materiais básicos e as longas filas de esperas para consultas e cirurgias, o serviço de limpeza urbana também está sofrendo reduções. Segundo fontes do alto escalão do governo, equipes da Viasolo Engenharia Ambiental, empresa contratada para fazer capina, roçada, varrição e coleta de resíduos no município, foram reduzidas, e a previsão é que a situação piore ainda mais.
“A prefeitura tem um contrato de R$ 36 milhões com a Viasolo para realizar capina, roçada, varrição e coleta de resíduos ao longo de 2016. Isso dá uma média de R$ 3 milhões para realizar o serviço por mês. Mas, a partir deste outubro, o repasse caiu para R$ 1,6 milhão. Isso não dá para fazer nada. Só para a Essencis – empresa que atua na cidade desde 2001, recebendo resíduos do município em seu aterro sanitário –, a prefeitura tem que repassar R$ 600 mil por mês. Sobra R$ 1 milhão para o resto. Como tão pouca verba, reduziram as equipes de roçada e capina de 15 para 7. Já os trabalhadores que fazem varrição serão demitidos nas próximas semanas”, adiantou o funcionário do governo.
Quem acaba sofrendo com esse cenário de descaso é a população. Moradora do bairro PTB, a vendedora Kethiane Rodrigues, 37, lamentou ter que passar todos os dias pela avenida Rio Madeira e se deparar o excesso de lixo e entulho na calçada. “Comuniquei por diversas vezes a situação à prefeitura, mas não resolveram o problema. É um absurdo, um descaso com a população. Disseram que têm feito a limpeza, mas na prática a gente vê o contrário”, disse.
Moradores que fazem caminhada diariamente na avenida Edmeia Matos Lazzarotti também reclamaram do excesso de mato na via. “Chega a ser um desprazer fazer atividades físicas nessa situação. Pelo menos ainda não estamos sofrendo com mosquitos, mas, quando começar o verão, ainda teremos que sofrer com esse problema. Se a prefeitura está sem dinheiro, que se planejasse melhor e soubesse gerir suas contas. Pagamos nossos impostos em dias, merecemos dignidade”, criticou a bióloga Tássia Silva, 34.
Dengue
Não é por acaso que Betim recebeu o título no ano passado de “capital mineira da dengue”. Diante de tanta sujeira, o mosquito Aedes aegypti, transmissor também da zika e da febre chikungunya, encontrou as condições ideais para se proliferar. E até agora, neste ano, os números dessas doenças continuam crescendo na cidade.
De acordo com último boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, divulgado na quinta (13), já são 14.424 casos confirmados e 18.468 notificados de dengue. As notificações de Zika chegam a 315, sendo 35 casos confirmados. A febre chikungunya tem 2 confirmações e 76 casos informados.
Posicionamento
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que “os recursos estão sendo contingenciados, sendo que alguns contratos foram extintos em decorrência da dificuldade econômica e financeira pela qual passa o país”.
A reportagem entrou em contato empresa Viasolo na última quinta-feira (13), porém, de acordo com uma funcionária, não havia ninguém da diretoria. A trabalhadora alegou entretanto que a última redução de equipes da empresa que prestam serviço para o município teria ocorrido em março deste ano.