Diminuição da verba de gabinete gera resistência

Com os questionamentos de Eliseu Xavier (PTB) sobre os gastos com publicidade e lanche, o presidente da Câmara, Marcão Universal (PSDB), retrucou e acusou os vereadores de não contribuírem para reduzir os gastos. O presidente acusou os colegas de plenário que não quererem diminuir o gasto com a verba de gabinete, destinada ao pagamento com assessores dos parlamentares, uma verdadeira “caixa de marimbondo” para os vereadores.

Segundo balanços da própria Câmara, cada vereador tem até R$ 56.010 por mês pagar pagar seus 15 assessores. Em 2013, cada representante do povo gastou R$ 680.502 com essa despesa. Como são 23 vereadores, o total gasto chegou a R$ 15,6 milhões.

Já em 2014, esse valor aumentou 7%. No ano passado, o valor mensal para cada gabinete subiu para R$ 728.135. Ao fim do ano, foram desembolsados R$ 16,7 milhões. Ou seja, em dois anos, a Câmara gastou só com a verba de gabinete cerca de R$ 32,4 milhões.

“Desde que assumi a Presidência, eu tento cortar gastos. Há dois anos, eu quero diminuir o valor da verba de gabinete em 10% e não consigo. Por que não consigo? Porque os vereadores não aceitam. Agora, vir aqui falar de gastos, eu não aceito. Vamos diminuir essa verba? Tem um projeto da mesa diretora com assinaturas minha, do Klebinho, do Erasmo e da Marilene. Eu desafio aos outros a assinarem também”, disse.

No entanto, os vereadores Erasmo da Academia (DEM) e Marilene Torres (PRP) desmentiram o presidente e disseram que não assinaram nada. “Eu não assinei e não irei assinar enquanto não tirar parte do que foi dito pelo Eliseu. É injustificável, inexplicável tamanho orçamento para dar publicidade aquilo que não existe”, disse Erasmo.

A proposta de diminuir o valor da verba de gabinete não é bem-aceita por alguns vereadores. Apesar de a maioria dizer que concorda, eles alegam que as despesas devem ser cortadas também em outras áreas da Câmara. “Tem que haver uma discussão mais ampla de todas as despesas e receitas. Foi criada uma comissão para avaliar isso, tem que apresentar um debate maior. Se for para cortar apenas a verba de gabinete, eu sou contra. Defendo um debate maior que isso”, disse o vereador Thiago Santana (PCdo B).

Dimas do Caxias (PROS) faz coro. “Eu não concordo diminuir a verba de gabinete, porque você mexe com salário dos assessores, e isso é ruim. Eu concordo em diminuir o salário dos vereadores e cortar outros gastos da Casa que são possíveis”, disse.

Já José Afonso, o Pãozinho (PV), disse que não tinha opinião formada sobre o assunto. “A comissão ainda vai apresentar o estudo. Só depois que vou me pronunciar. Mas essa verba já foi reduzida no TAC que firmamos com a promotora em 2012”, disse.

Os outros vereadores disseram ser a favor, mas alegam que outros gastos devem ser diminuídos. Eliseu Xavier disse que não aceita prejudicar só ‘o gabinete’. “Se colocar essa proposta a ‘goela abaixo’, eu vou votar contra. Se ele (Marcão) quer diminuir a verba de gabinete, tem que diminuir também o que é destinado à publicidade, à gasolina, carro, ao lanche, às festas que a Câmara faz e até mesmo o salário do vereador”, disse.

Carlim do Amigão (DEM) disse que concorda em reduzir, mas “desde que haja diálogo” sobre o assunto.

“Eu sou a favor (da diminuição da verba de gabinete), mas acredito que tem que debater melhor e ver como cortar outros gastos”, completou a vereadora Elza do Divino Braga (PSB).

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