Desvios na educação contribuem para falta de vagas em creches

Com uma filha de 2 anos e outra de um mês, a cabeleireira Thaís Drumond tem que conviver com a falta de vagas nas creches da cidade. Moradora da região do São João, ela até tentou colocar a filha em duas instituições, mas não conseguiu. “Em uma das creches, só aceitam crianças acima de 3 anos e meio, porque não tem berçário. Na outra, há uma fila de espera”, disse.

Situação como a de Thaís é recorrente em Betim. Assim como ela, há outras milhares de mães sem vagas nas creches do município. E os desvios de função registrados na Secretaria Municipal de Educação (Semed) são a prova de que as nomeações de “apadrinhados” prejudicam a assistência para a população.

Atualmente, a prefeitura mantém 34 creches próprias na cidade. No entanto, como divulgado por O Tempo Betim na semana passada, foram nomeados 58 pessoas para atuar como diretores de centros infantis, ou seja, 24 deles não trabalham em creches. Os custos com esses desvios ultrapassam os R$ 756 mil por ano apenas com salários, sem gratificações e benefícios.

Enquanto isso, mais de 23 mil crianças de 0 a 5 na cidade não têm uma vaga nas creches do município, o que representa 69% do total. O número alarmante foi a divulgação de um levantamento realizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) em parceria com a PUC Minas, em 2013. A situação é ainda pior para crianças na faixa etária de 0 a 3 anos. Segundo o estudo, de um total de 22.554 crianças, apenas 4.428 delas estavam nas creches. As regiões com maiores índices de espera são a Alterosas (25,7%) e o Imbiruçu (25,2%).

No caso de Thaís, quando ela precisa trabalhar, o jeito é deixar a criança com algum parente. “Não tenho como trabalhar de carteira assinada porque não tenho onde deixar as crianças”, completou.

A babá Jaqueline Pereira é outro exemplo. “Tenho um filho de 1 ano, procurei uma vaga para ele, mas não encontrei. Tenho que levá-lo para o trabalho porque não há creche para as crianças”, disse.

A prefeitura informou que a administração municipal irá universalizar, até o final de 2016, o atendimento de crianças com 4 e 5 anos nos Centros Infantis Municipais (CIMs). “Em relação às crianças de 0 a 3 anos, a prefeitura informa que, de acordo com a Lei Federal 13.005, o município deve até o final de 2024 atender 50% da demanda de crianças nesta idade”, declarou a prefeitura, que enfatizou que, para atingir a meta, é necessário que o governo federal viabilize a construção dos novos centros infantis.

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