Alegando redução de gastos e queda na procura por atendimento, o secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis, anunciou na semana passada que vai desativar a partir da próxima segunda-feira (1º) o posto de atendimento rápido do Centro de Especialidades Divino Ferreira Braga, criado para absorver os casos de pacientes com suspeita de dengue no município. A notícia, que pegou usuários e funcionários do setor de surpresa, trará como consequência a superlotação das quatro Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) da cidade, já que, segundo balanço divulgado na terça-feira (26) pela própria Secretaria Municipal de Saúde, os casos notificados da doença aumentaram 14,1% em Betim, em apenas 23 dias.
Segundo uma das funcionárias da equipe de atendimento do posto rápido, que terá o nome preservado para evitar possíveis represálias, os trabalhadores atendem, por dia, uma média de 200 pessoas com suspeita de dengue na unidade. “Muitos pacientes elogiam o serviço que prestamos, mesmo assim, considero o atendimento precário, pois constantemente faltam medicamentos e materiais, como soro, agulhas e antialérgicos. Agora, imagina quando a população voltar a ser atendida nas UAIs, a situação vai ficar ainda pior”, afirmou.
Um médico do posto, que também terá a identidade preservada, confirmou a situação. Conforme ele, apesar de a prefeitura alegar que houve diminuição da demanda, a realidade é outra. “Continuamos atendendo cerca de cem pacientes a cada plantão de 12 horas. As pessoas continuam apresentando os sintomas da dengue e, com o fechamento do posto, a tendência é as UAIs ficarem ainda mais sobrecarregadas e a qualidade do atendimento piorar. Estamos preocupados.”
O médico reclamou ainda do desrespeito da prefeitura com os profissionais que atuam no posto. De acordo com ele, o governo ainda não efetuou o pagamento dos médicos nem cumpriu com o acordo de prestação do serviço, que seria de três meses. “Pelo acordo, trabalharíamos de abril a junho, mas, de repente, a prefeitura anunciou que vai dispensar os profissionais. Além disso, até agora, nós médicos não recebemos os dias trabalhados. O governo agiu de má-fé, desde o início”.
Na outra ponta, os usuários, principais prejudicados, dizem temer as consequências da medida. É o caso do motorista Arlindo Braga, 54, que, na terça (26), buscou o Divino Braga para tratar a esposa, com suspeita de dengue. Conforme ele, até o momento a prefeitura não anunciou que vai fechar o posto de atendimento, o que vai pegar as pessoas desprevenidas. “Essa conversa de que os casos de dengue diminuiram é mentira. Se fecharem aqui, só vão prejudicar a população. As UAIs já são muito cheias. É um absurdo. A prefeitura, em vez de melhorar o atendimento, piora.”
Outra usuária que criticou o fechamento do posto é a cozinheira Eliane Cardoso de Souza, 36. “As UAIs não dão conta de atender tanta gente. Se fecharem o posto do Divino Braga, só vão tumultuar as UAIs.”
Confirmação
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que a unidade de hidratação para pacientes com dengue será desativada. Segundo o governo, isso ocorrerá “devido à queda de casos confirmados por dengue registrados nas últimas semanas”. A prefeitura ressaltou que o atendimento a pacientes com suspeita de dengue será realizado normalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas Unidades de Atendimento Imediato (UAIs).
Contudo, o governo negou que há atraso no pagamento dos médicos que atuam na unidade de hidratação. “Os mesmos foram contratados via convênio com o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba (Cismep) e, conforme o convênio, o pagamento do mês de abril é feito em junho.”