Betim está prestes a viver uma epidemia de dengue, assim como em 2013. Na última sexta-feira (27), segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foram confirmados 1.076 casos na cidade. Com isso, a taxa de incidência chegou a 285 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. De acordo com o Ministério da Saúde, há epidemia quando a taxa de incidência passa de 300 casos para 100 mil moradores, o que faz com que Betim seja classificada como em estado de alerta.
Além disso, com o alto crescimento dos casos nos últimos dias, a cidade passou de segunda para a primeira de Minas Gerais em número de confirmações. Segundo o último balanço da Secretaria de Estado de Saúde (SES), apenas Betim tinha confirmado mais de mil casos da doença. A segunda no ranking era Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com 831.
Para se ter ideia da gravidade da situação de Betim, a capital, Belo Horizonte, com uma população de quase 2,8 milhões de pessoas, tem apenas 398 casos da doença. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, até a última sexta-feira (27), 3.837 casos de dengue haviam sido notificados na cidade. Em 15 dias, houve um crescimento de 80%, já que no dia 12, a quantidade era 2.132.
O número de casos confirmados na cidade ainda pode aumentar, já que outros 2.196 ainda estão sendo investigados. A maioria dos casos (cerca de 25%) se encontra na região do Vianópolis, sendo que o bairro Marimbá concentra o maior número de casos. Em segundo lugar no ranking, está a região Central.
Como consequência, a cidade também está em estado de alerta em relação ao índice de infestação de focos da doença. O Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) – que é uma relação do número de imóveis positivos (infestados) para Aedes aegypti pelo número de imóveis pesquisados – de Betim em março foi de 3,2%. É considerado alto risco a partir de 4%, ou seja, a cada cem imóveis pesquisados, quatro são positivos. Em janeiro, o LIRAa era de apenas 0,7%.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis, a situação é preocupante. “Estamos com um risco grande de epidemia. Por isso, estamos fazendo vários contatos com a comunidade, como os mutirões, para tentarmos prevenir a incidência da doença, já que 70% dos focos da doença estão nas residências”, disse.
Ainda segundo ele, o Centro de Especialidades Divino Ferreira Braga está sendo preparado para se tornar uma Unidade de Reidratação de Pacientes, assim como aconteceu em 2013. “Estamos finalizando essa preparação. As Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) também vão receber reforço para hidratar os pacientes. É muito importante que as pessoas com suspeita não se automediquem e procurem uma unidade de saúde”, completou.
Quem já teve a doença sabe os transtornos que ela causa. “É uma dor contínua, muito ruim. Dói o corpo todo, e você não tem nada o que fazer a não ser se hidratar muito e esperar”, disse a funcionária pública Simone Oliveira.
Ainda segundo ela, o fato de a cidade estar abandonada ajuda na proliferação do mosquito. “Não adianta fazer campanha de conscientização se a prefeitura também não dá o exemplo. A cidade está cheia de mato, sujeira. É claro que as pessoas que jogam entulho nos lotes são mal-educadas, mas o governo também tinha que dar o exemplo. Nunca vi Betim com tanto mato e as ruas tão sujas”, criticou.
A dona de casa Maria de Assis Rocha, moradora da região do Vianópolis, também foi uma das vítimas do mosquito. “Primeiro eu tive uma febre muito alta e dores de cabeça e nos olhos, além de vermelhidões. Eu fui ao posto, me passaram o remédio e mandaram eu ingerir muito líquido”.