Com a crise econômica no país e em Betim, a redução de empregos formais acaba tendo efeitos colaterais. Além de reduzir o poder de compra das pessoas e contribuir para a queda da arrecadação dos cofres públicos, o desemprego ainda faz a informalidade crescer.
Nas ruas, esse cenário já é sentido, uma vez que o número de pessoas com barracas vendendo produtos de todos os tipos cresce a cada dia. Antônio Fernando Santos, 42 anos, ficou desempregado há sete meses e se tornou um vendedor ambulante de frutas e doces nas ruas. “Foi o jeito que eu encontrei, já que está difícil arrumar emprego. O que não posso é ficar sem fazer nada, porque as contas não deixam de chegar”, disse.
Mas quem possui comércio legalizado reclama. “A gente paga tanto imposto, aluguel, energia e ainda tem que se adaptar às determinações da vigilância enquanto que, na rua, eles vendem de qualquer maneira. Com isso, não tem como competir em igualdade com o comércio ilegal. Falta o município fiscalizar”, disse a comerciante Elaine Carvalho.
Esse cenário é reflexo da extinção de empregos. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), somente em maio, foram 1.012 postos de trabalho fechados na cidade, número 19% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Foi o pior saldo para um mês de maio em Betim desde 2009, quando se extinguiram 2.633 vagas formais.
O economista Vicente Mesquita afirma que a informalidade é ruim para a economia. “Isso porque ela não aparece na ‘contabilidade’ econômica, nos impostos arrecadados, em nada. Além disso, muitas vezes, não se sabe a origem dos produtos, e os informais disputam o mesmo cliente com as lojas”, disse. “Muita gente que estava recebendo seguro-desemprego ficou sem o benefício e, sem vagas formal no mercado, o jeito foi essas pessoas buscarem outra fonte de renda”.
A prefeitura informou que realiza frequentemente ações de fiscalização, com o intuito de orientar os comerciantes ambulantes e ainda disciplinar o uso das vias públicas.