O desemprego continua assolando a população de Betim. Depois de encerrar 2015 com quase 10.000 postos de trabalho fechados, neste ano, o cenário parece que irá se repetir. Isso porque janeiro fechou com o pior saldo na criação de emprego dos últimos seis anos para este mês.
Segundo balanço do Cadastro Geral de Empregados e Desempregos (Caged), no primeiro mês deste ano, a cidade perdeu 651 vagas formais com carteira assinada, o pior resultado para um mês de janeiro desde 2009, quando foram perdidas 2.345 vagas. O número deste ano é 551% maior que o registrado no mesmo período de 2015, quando foram fechados 100 empregos.
A indústria liderou o resultado ruim, com a demissão de 1.015 trabalhadores e a admissão de 534, obtendo um saldo negativo de 481 postos de trabalho. Com a desaceleração econômica, principalmente no setor automobilístico, Betim, que não diversificou sua economia, está sofrendo com a crise.
O setor de comércio também foi outro que sofreu um duro golpe na geração de empregos. Segundo o Caged, foram 148 vagas formais extintas na cidade. Das oito áreas pesquisadas pelo Caged, apenas duas criaram vagas de emprego: o setor de serviços, com saldo positivo de 49 vagas, e a administração pública, com 11 empregos criados.
“Com o ajuste fiscal, a crise política e a diminuição do crédito, as empresas estão investindo menos. Com isso, vendem e produzem menos, cortando empregos. E cidades que têm sua economia calcada em um pilar apenas, que no caso de Betim é a indústria automobilística, tendem a sofrer mais. E com a indústria recuando e cortando vagas, os outros setores vão ser afetados também”, explicou o professor de economia da PUC, Marco Polo Ribeiro.