Uma empresa de construções com sede em Belo Horizonte é acusada de aplicar um golpe em clientes de um empreendimento que seria construído na rua Camilo Ana, 144, no bairro Brasileia. Conforme informações reveladas à reportagem, as obras do residencial Inácio Moreira Jardim, que tinham previsão para ser concluídas em abril de 2013, nem sequer começaram.
Segundo uma das vítimas, que, por enquanto, prefere anonimato, o contrato de compra e venda de um imóvel no sétimo andar do edifício, avaliado em cerca de R$ 1 milhão, foi assinado com a BPF Incorporações Imobiliárias Ltda. – empresa ligada ao grupo Falgo Empreendimentos e Participações S/A – em novembro de 2011. Atualmente, a Falgo é responsável pelo planejamento e o desenvolvimento de shopping centers em diversos municípios do Estado, incluindo Betim.
“Na época, eu e o meu marido compramos o imóvel no nome da mãe dele. Me recordo de que demos uma entrada no valor de R$ 200 mil e que o contrato previa que o empreendimento seria entregue em abril de 2013, ou seja, dois anos após o acordo firmado entre ambas as partes”, disse a cliente.
Segundo ela, a situação teria se complicado ainda mais depois que a sua sogra faleceu, em março de 2013. “Pedimos a suspensão da compra, mas, como a construtora não se manifestou, nossa única opção foi acionar a Justiça. O que queremos é o ressarcimento do valor pago à BPF na época”, explica o advogado.
Outro cliente lesado com a situação, que também preferiu não ser identificado, conta ainda que tomou conhecimento, recentemente, de que o projeto teria sido vendido, em 2013, à construtora Escala, com sede em Contagem.
Em conversa com a reportagem, o gerente de negócios da empresa, Admilson Moura, assumiu ter feito um termo de acordo com a BPF que previa, “após alguns passos”, que a Escala se tornaria a responsável pelo residencial. No entanto, ainda segundo Moura, como diversas questões contratuais não foram resolvidas pela construtora de Belo Horizonte, a parceria foi desfeita.
“Tentamos, enquanto empreendedores, equacionar um bom empreendimento em Betim, porém, dadas as condições, nos sentimos fragilizados. Assim, optamos por notificar a BPF judicialmente. Chegamos a um acordo, e a anulação do contrato foi feita. Hoje, não existe nenhuma relação entre a BPF e a Escala”, garantiu.
Já a diretora da BPF, Bárbara Patrícia Valladares Lara de Almeida, alega que os clientes assinaram o contrato cientes de que o projeto estava em aprovação e que, portanto, as datas poderiam sofrer alterações. “O contrato é claro. O atraso ocorreu porque tivemos uma série de dificuldades em liberar questões técnicas na prefeitura municipal e no cartório. O alvará de construção demorou a ser liberado, e, quando isso ocorreu, uma de nossas clientes faleceu.
Como a família não teve condições de arcar com o contrato, fizemos um aditivo. Chegamos até a propor o cancelamento do contrato, mas fomos surpreendidos com uma ação judicial”, disse.
Sobre a parceria com a Escala, Bárbara justificou que essa foi a alternativa encontrada pela BPF para retomar as obras. “Infelizmente, o mercado de construção civil está ruim. Além das questões burocráticas, esbarramos em questões mercadológicas. Hoje, buscamos investidores que honrem o compromisso que assumimos em 2011. A Escala foi uma aposta que, infelizmente, não deu certo”. Ela ainda completou: “Temos tratativas com construtoras e investidores, mas ainda não temos previsão de quando as obras serão retomadas. Por isso, não estamos fazendo a comercialização do empreendimento”.