Comissão de Saúde da Câmara aborta fiscalização

Mesmo com data e hora marcadas para acontecer, dando tempo ao governo para fazer eventuais ações de “maquiagem”, a fiscalização nas quatro Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) não foi realizada em sua plenitude pela Comissão de Saúde da Câmara.

Após visitarem a UAI Alterosas, os vereadores da comissão – Elza do Divino Braga (PSB), que é presidente, Divino Lourenço (PSDB), Joaquim Bracinho (PP) e Dimas do Caxias (PP) – desistiram de continuar com a fiscalização nas outras três unidades. Marcos Roberto Abramo (PRB), que também é da comissão, não compareceu.

Além disso, nas outras unidades, os vereadores Antônio Carlos (PT) e Vinícius Resende (SD), que não fazem parte da comissão, mas que participaram da ação, foram barrados de prosseguirem com a fiscalização. Um boletim de ocorrência foi feito.

“A fiscalização foi abortada, não sabemos o motivo. Chegamos primeiro na UAI Alterosas, encontramos um cenário problemático, com servidores reclamando da falta de materiais e medicamentos e sangue no chão. Não havia nem material para cirurgias simples. Então, fomos para as outras UAIs, mas havia ordens para não nos deixar entrar. Eles intimidaram os servidores.

O governo não quer que os vereadores fiscalizem. É um desrespeito total”, criticou Antônio Carlos, que, após ser barrado em três unidades, fez um boletim de ocorrência contra a Secretaria Municipal de Saúde.

“É uma situação lastimável e absurda não deixar os vereadores entrarem, fazerem o seu papel, que é de fiscalizar. Isso só mostra que a situação nas unidades é ruim”, completou Vinícius Resende.

A diretora do Sind-Saúde, Conceição Pimenta, diz que acompanhou a fiscalização, mas que não foi avisada com antecedência. “A Comissão de Saúde da Câmara não nos informou de nada. Uma fiscalização na saúde tem que informar ao sindicato. Nós estamos lá no dia-a-dia”, disse.
Ela também criticou o abandono da ação da comissão. “Foi uma atitude fraca de não continuar com a averiguação das denúncias, porque o setor está abandonado e nenhuma autoridade desta cidade faz nada para melhorá-lo, nem para os funcionários nem para os usuários”, desabafou.

Justificativa
Segundo a presidente da comissão, vereadora Elza, houve “tumulto” na UAI Alterosas e que, por isso, a fiscalização foi interrompida. “Houve muita confusão, atrapalhando de certa forma o atendimento na unidades. Pacientes e funcionários ficaram constrangidos. Então, por isso, eu decidi adiar a continuidade da fiscalização para outro dia”, justificou.

A vereadora negou que a ordem tivesse vindo da Secretaria Municipal de Saúde. O que chamou a atenção é que o secretário titular da pasta, Rasível dos Reis, não acompanhou a ação e apenas enviou um representante.

A supervisora Alexsandra Souza, 26, levou a filha para consultar na UAI Alterosas. Mas mesmo após quase duas horas de espera, ela não tinha nem feito a ficha. “E quando somos chamados, nos deparamos com a falta de remédios e de médicos. A saúde da cidade está péssima”, criticou a paciente.

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