Apesar de o governo federal ter repassado para a Prefeitura de Betim nos últimos três anos mais de R$ 3,8 milhões em recursos para operacionalizar as ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), profissionais da saúde que atuam no setor e betinenses que precisam do serviço continuam sofrendo com o sucateamento das viaturas do município.
Na última quinta-feira (15), uma denúncia feita por servidores municipais à reportagem de O Tempo Betim retrata, mais uma vez, o descaso da atual administração com o dinheiro público. Segundo eles, durante o período da manhã, nenhuma das ocorrências solicitadas pela população para ao Samu foram atendidas. “O motivo disso foi falta de organização do governo. Deram férias para um dos motoristas do Samu, e o pessoal da Divisão de Transporte esqueceu de enviar um motorista para trabalhar no plantão de quinta (15) do Samu no lugar dele. Diante disso, os profissionais do setor ficaram impossibilitados de atender as chamadas de menor urgência, como as ligações que foram feitas de casos de pessoas desmaiadas, com crise convulsiva e acidentes de motocicletas. O motorista só apareceu depois do horário de almoço”, contou um servidor da saúde, que pediu para ter o nome preservado para evitar represálias.
Mas os problemas do Samu não param por aí. Ainda de acordo com o servidores, atualmente, o município possui três Unidades de Suporte Básico (USBs) e uma Unidade de Suporte Avançado (USA), entretanto, na última quinta-feira (15), apenas uma UBS estava funcionando. “As outras duas estão estragadas. Um teve a porta arrancada e a outra está com problemas no motor. Isso acontece com frequência no Samu, o que prejudica demais a população. Já foi solicitado várias vezes à Secretaria de Saúde o reparo da frota, mas sempre dizem que não tem jeito, que a prefeitura não tem dinheiro. Da forma com o Samu está hoje, uma hora o serviço vai parar de vez”, completou o funcionário da saúde.
Uma portaria do Ministério da Saúde determina que o financiamento do Samu deve ser compartilhado pelo governo federal, que deve custear com 50% das despesas; pelo governo do Estado, que precisa arcar com 25%; e pelo município, responsável pelos outros 25%. “Em Betim, Estado e município investem, por mês, com cerca de R$ 550 mil cada um para operacionalizar o Samu. Só não sabemos para onde todo esse dinheiro está indo. Para o Samu é que não é”, criticou outro trabalhador da saúde ao ressaltar que para atender adequadamente a população de Betim hoje, o município precisaria contar com seis viaturas. “Seria preciso dois carros para ficarem como reserva, caso uma das ambulâncias estragassem”, finalizou o trabalhador.
Posicionamento
A Secretaria Municipal de Saúde negou que o atendimento de uma USB foi interrompido por falta de motorista na última quinta (15). A pasta informou ainda que a substituição da frota de ambulâncias do Samu já foi solicitada ao governo do Estado, que recebeu uma nova ambulância, e que a previsão era que as demais chegassem ao município a partir de março de 2016. “Entretanto, o município ainda aguarda a disponibilização dos novos veículos”, declarou a prefeitura por nota.