Com 16 anos, jovem mineira desfila medalha olímpica

Determinação é uma atitude mais que necessária para atletas, especialmente no começo de suas carreiras. E quem tem de sobra pode chegar muito longe, como mostrou a mineira Ana Patrícia Ramos, de Espinosa, medalhista de ouro no vôlei de praia nos Jogos Olímpicos da Juventude. Aos 16 anos e apenas um treinando especificamente na modalidade, a jogadora faz planos altos para a vida.

Foi nos Jogos Escolares e Minas Gerais (JEMG) de 2013 que Patrícia chamou a atenção. No handebol, ela já exibia um porte físico favorecido - tem 1,93 m de altura -, e acabou indicada para jogar voleibol sob as orientações de Giuliano Sucupira, em Betim. E aí veio o primeiro desafio: convencer os pais a deixar a pequena cidade, com pouco mais de 30 mil habitantes, no norte de Minas.
“Quando ela começou, ela insistia para fazer os testes, mas isso lá é fora da realidade. Não tem time, ela treinava com os colegas. Foi uma questão de muita sorte, e principalmente determinação. A primeira coisa que ela teve que fazer foi convencer a gente que ela tinha que vir para cá, que era o sonho dela, e ela lutou para isso”, contou a mãe da jovem, Eugênia Dolores da Silva Ramos.
Os resultados apareceram numa velocidade surpreendente. A adolescente foi campeã mineira sub-21 e do adulto de vôlei de praia e ficou em terceiro no Brasileiro sub-23, ano passado. Depois de seis meses com patrocínio da Prefeitura de Betim, foi chamada para treinar no centro da modalidade em Saquarema, e este ano chegou à prata no Brasileiro sub-23, além de um nono lugar no Mundial sub-19.
Para os Jogos da Juventude, na China, foi colocada ao lado da sergipana Duda, bicampeã mundial sub-19 e com experiência em muitos campeonatos. Juntas, as duas mostraram força de vontade para sair atrás na grande final, diante das gêmeas canadenses Megan e Nicole McNamara, e conquistarem a medalha inédita para o país.
“Por ser um dos meus primeiros campeonatos internacionais, minha primeira final mundial, fiquei bastante nervosa. O primeiro set a gente perdeu, eu senti um pouco o nervosismo. O segundo a gente ganhou e o terceiro a gente começou perdendo, mas ali subiu uma chama em mim que eu não ia perder de jeito nenhum e a Duda também acreditava”, revelou Ana Patrícia.

Meta de Patrícia é participar dos Jogos do Rio 2016

Muitos dos atletas que estiveram nos Jogos Olímpicos da Juventude só pensam em entrar no ciclo olímpico em 2020, mas Patrícia mais uma vez é exceção. Inspirada em Talita, brasileira campeã mundial ao lado de Larissa, ela tem uma vontade diferenciada que já a coloca pensando no Rio 2016.
“Ela não desiste. É uma menina que corre atrás, é determinada, sabe o que quer, e isso faz diferença. Enquanto a maioria se programa para 2020, a Patrícia é sonhadora e já vai lutar para esse ciclo também”, comentou seu técnico Giuliano Sucupira.
Além da festa em Espinosa, onde virou a sensação da cidade, a jovem desfilou nesta segunda-feira em carro aberto pelo centro de Betim e foi recebida pelo prefeito Carlaile, que elogiou seu trabalho e entregou um kit simbólico à jogadora.

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