Cidade lidera homicídios em Minas Gerais em 2014

Betim é a cidade de Minas com maior taxa de homicídios a cada grupo de 100 mil habitantes. Os dados do Diagnóstico dos Homicídios no Brasil coletados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública e divulgados na quinta-feira (15) pelo Ministério da Justiça. Municípios como Ribeirão das Neves, Governador Valadares e Contagem ficaram logo atrás no ranking de mortes, respectivamente.

A taxa de homicídios, levando-se em conta apenas o ano de 2014, chega a 49,3 assassinatos para cada grupo de 100 mil moradores, o que significa que Betim é cinco vezes mais violenta que o limite estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – acima de 10 por 100 mil é considerado epidemia de violência.

Já em âmbito nacional, Betim ficou em quinto lugar, perdendo apenas para Serra, no Espírito Santo (72,4), Cabo Frio, no Rio de Janeiro (67,5), Nova Iguaçu, também no Rio de Janeiro (58,3) e Cariacica, também no Espírito Santo (57,5).

A disputa pelo tráfico de drogas entre gangues, o latrocínio – roubo seguido de morte –, a violência doméstica e as brigas de bar e de vizinhos são apontados como algumas das principais causas desses homicídios. Na noite da última quarta (22), o assassinato de um homem, ainda não identificado pelo polícia, pode entrar para essas estatísticas. A vítima levou dois tiros na cabeça depois de tentar roubar uma motocicleta no centro de Betim. De acordo com relato do dono da moto à Polícia Militar, ele parou em um semáforo de trânsito e foi abordado por um rapaz, que pediu por uma informação. Quando ele foi responder, o suspeito, que estava a pé, sacou uma arma e mandou ele deixar a moto e sair correndo. Pouco tempo depois, um terceiro homem teria aparecido, atirado contra o suposto ladrão, e fugido.

Outro lado

O delegado Álvaro Huertas, responsável pela Delegacia de Homicídios, destacou que, culturalmente, Betim é uma cidade violenta, e que isso reflete nos índices de criminalidade. “Eles podem ser justificados pela falta de estrutura social também”, explicou.

Sobre a resolução dos assassinatos pela delegacia, Huertas informou que a Homicídios tem uma média de 50% a 60% de crimes resolvidos por mês. “Isso mostra que não falta eficiência. Nós trabalhamos sempre em conjunto com a Polícia Militar e o Ministério Público para debater a situação do município em relação a esses crimes. É uma relação boa e essas reuniões acontecem mensalmente”, reforçou.

O tenente-coronel Edmilson Sabino, comandante do 33º Batalhão de Polícia Militar de Betim, disse que, logo quando assumiu o posto, neste ano, elaborou um mapeamento das regiões mais violentas e determinou que viaturas ficassem permanentemente nos pontos mais críticos, como o Teresópolis. “Depois dessa ação houve a redução dos crimes. Só neste ano, a polícia efetuou a prisão de 467 pessoas envolvidas com o tráfico de drogas, criminosos esses que são potenciais homicidas ou vítimas. Efetuamos ainda a apreensão de 249 armas. Tudo isso tem surtido efeito na queda de homicídios, do ano passado para este ano”, afirmou.

Desigualdade

Além de ser apontada pelo diagnóstico do Ministério da Justiça como a sexta cidade mineira em 2014 com maior concentração de renda (52,7%), Betim também tem um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Minas Gerais. De acordo com o levantamento, o IDHM da cidade foi 0,749. Vale ressaltar que o calculado desse índice leva em consideração três componentes: renda, saúde e educação. O índice vai de 0 a 1, sendo 0 a pior situação em termos de vulnerabilidades e desenvolvimento humano e 1 a melhor.

Milionário

A promessa de se reduzir o alto índice de criminalidade em Betim veio, no início deste ano, com a Secretaria Municipal de Segurança Pública, pasta que para ser criada pelo prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) retirou R$ 76,5 milhões em recursos a serem investidos neste ano na educação, no esporte e na assistência social. Passado-se dez meses após a implementação da pasta, comandada pelo sociólogo Luís Flavio Sapori, os números da violência continuam – só de janeiro até o dia 5 de outubro foram contabilizados 186 homicídios.
Agora, segundo proposta orçamentária de 2016, já em tramitação na Câmara, a prefeitura reservou dos cofres municipais mais R$ 27,5 milhões para a secretaria. Desse total, R$ 1,7 milhão será voltado para ações de prevenção à violência e a criminalidade.

Resposta

A Secretaria Municipal de Segurança Pública esclareceu que o município tem noção da gravidade do problema e que vem realizando ações para tentar coibir a criminalidade, como o fortalecimento da Guarda Municipal; a integração da ação das polícias Militar e Civil, do Judiciário e do Ministério Público da cidade, por meio do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), e a implantação de projetos de prevenção social da violência, como os projetos #Recomeçando, que tem como público alvo jovens que não estudam, não residem e/ou nem trabalham em áreas de vulnerabilidade social, além do projeto Centro de Referência em Acolhimento ao Dependente Químico (Crade).

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