Quando saiu de casa no dia 30 de abril de 2015 para fazer caminhada com o marido, a aposentada Maria Conceição de Souza, 69, não imaginava que a partir daquele dia começaria um dos maiores martírios da sua vida. Após sofrer uma queda, ela rompeu a clavícula e o ligamento do ombro direito. Nos 11 dias em que esteve internada no Hospital Regional, foi parar no bloco cirúrgico duas vezes sem, contudo, fazer o procedimento. Agora, mais de um ano depois de receber alta, continua aguardando na fila de espera da rede de saúde pública de Betim para fazer a cirurgia.
“Me sinto abandonada pelas autoridades e triste com esse descaso. No Regional, fiquei duas vezes por 12 horas em jejum, mas, no bloco, os médicos disseram que não podiam me operar porque tinham outros pacientes com prioridade. Agora, um ano depois, meu ombro não melhorou. Não consigo levantar o braço, arrumar nada em casa nem tomar banho direito. Vivo com essa tipoia no braço. Graças as Deus, minhas filhas me ajudam, mas minha esperança é fazer a cirurgia e melhorar”, disse a aposentada que também entrou com uma denúncia no Ministério Público de Betim. “Infelizmente, lá também eles não fazem nada”, desabafou a aposentada.
O drama vivido por Maria Conceição é partilhado por milhares de cidadãos que dependem dos sistema de saúde pública de Betim. Segundo denúncia feita por servidores da saúde a reportagem, cerca de 5.000 pessoas estão hoje na fila de espera para fazer uma cirurgia eletiva na cidade. A grande maioria dos procedimentos, ainda conforme o trabalhador, é de operações ortopédicas, de hérnia, de retirada de vesícula e útero.