Faltava apenas três dias para acontecer o casamento da operadora de caixa Gisele Martins, 19, com motoboy Victor Moreira, 24. Tudo já estava preparado para o grande dia: bufê, igreja, decoração e, é claro, eles já haviam escolhido e alugado o espaço onde ocorreria a festa. Mas, para a surpresa do casal, o dia que seria um dos mais felizes na vida dos pombinhos, quase virou uma história de terror. Isso porque, quando a empresa contratada para fornecer mesas e cadeiras para a festa do casal foi levar os objetos para o sítio onde o evento seria realizado, na rua Sporting, 10, no bairro Jardim Alterosas 1ª Seção, se deparou com uma das unidades dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) da prefeitura em pleno funcionando.
Assim como Gisele e o marido, ao menos outros dois casais que moram em Betim alegam terem sido vítimas de um calote. Eles afirmam terem alugado esse sítio no Alterosas, conhecido como “Sítio do Alemão”, com o caseiro do local, denominado por eles como Lúcio, e que o mesmo teria simplesmente desaparecido desde que o Cras se transferiu para o endereço, há dois meses. “Já ligamos várias vezes no celular dele, mas só dá desligado. Uma funcionária do Cras disse que outros casais também foram lá e descobriram que caíram em um golpe. Eu dei um adiantamento para o Lúcio de R$ 500. No dia da festa, pagaria o restante. Meu marido e eu estamos arrasados. Quase não conseguimos nos casar por causa disso. Tive até que pegar dinheiro emprestado. Agora, pelo menos, queria que a prefeitura passasse o contato do dono do imóvel para que pudéssemos tentar receber o dinheiro de volta, mas disseram que não podiam passar. Isso é revoltante. Somos nós as vítimas do golpe”, desabafou Gisele.
Outro casal que afirmou ter sido vítima de um calote é a atendente Michele Alcântara, e o noivo, o operador de logística Júlio César, 21. No caso deles, o prejuízo também foi de R$ 500, entretanto, felizmente, eles descobriram a farsa dois meses antes do casamento acontecer. “Minha festa está marcada para outubro. Tive que alugar outro sítio. Estamos arrasados, foi muito sacanagem. Só nos resta agora procurar a polícia e a justiça para tentar reaver o dinheiro”, afirmou Michele.
Indignado, outro noivo, que pediu para não ser identificado, e que está com o casamento marcado para setembro, disse que seu único objetivo é receber seu dinheiro de volta. “A amiga da minha noiva passou em frente ao sítio e viu que estava funcionando o Cras. Fomos lá e descobrimos que a prefeitura tinha arrendado o espaço. Passei para o caseiro R$ 800. Quero o meu dinheiro de volta e que a prefeitura me informem o contato do dono do sítio”.
A reportagem foi até o endereço onde hoje funciona o Cras no Alterosas, mas não encontrou o caseiro, Lúcio. Já no contrato de locação do sítio, Anatércia da Silva, que seria mulher de Paulo, apontado como do sítio, aparece como locadora do imóvel.
No local, os funcionários explicaram que a unidade havia sido transferida para o sítio há dois meses. Eles também confirmaram que vários casais foram até o Cras alegando que haviam sido vítimas do mesmo calote. “Esse sítio era alugado para festas, mas, quando a prefeitura o alugou, com um tal de Paulo, que é o dono e mora em Belo Horizonte, ele garantiu que resolveria a questão das locações. Mas parece que nada foi resolvido”, disse um funcionário.
A prefeitura confirmou que o sítio foi alugado, mas não quis passar o contato dos proprietários do imóvel.