Há cerca de duas semanas, a merenda de grande parte das milhares de crianças e adolescentes que estudam nas escolas municipais e nos centros infantis de Betim tem se resumido a arroz, feijão, macarrão e ovos. Segundo denúncia feita por educadores e pais de alunos, e confirmada em um documento expedido pela Secretaria Municipal de Educação, desde o último dia 13, o fornecimento de carne nas instituições de ensino foi interrompido. No lugar, a prefeitura enviou para as escolas ovos. A justificativa para o corte, ainda conforme o ofício, estaria relacionado a um problema na licitação, que ainda estaria em fase de homologação.
Para uma funcionária da Escola Municipal Osório Aleixo da Silva, no bairro Granja Verde, que foi afetada com a interrupção do fornecimento de carne, falta organização da prefeitura. “Desde do início do ano, quando as aulas foram retomadas, eles já sabiam que a licitação para o fornecimento de carne precisava ser feita, mas não fizeram nada. Desde então, começou a faltar carne nas escola, mas agora a situação se agravou.
Segundo ela, o mais revoltante é que no cardápio enviado para as instituições de ensino, a Secretaria Municipal de Educação afirma que vai servir até estrogonofe para os alunos. “É uma grande mentira, nada disso aparece aqui. Antes, a gente podia expor o cardápio para os alunos, agora, não deixam mais, porque o que está no papel da secretaria não condiz com a realidade. Só estamos servindo ovos nos últimos dias, mas têm crianças que não podem comer esse alimento. Então, coitadinhas, elas são obrigadas a merendar apenas arroz e feijão”, criticou a trabalhadora. “Para piorar a situação, as mães reclamam com a gente, mas não temos culpa disso. A maioria das crianças vêm para a escola mais para merendar. É o almoço deles. Isso não pode acontecer. O governo federal repassa a verba, a prefeitura só completa e ainda deixa faltar? É um absurdo”, disse.
Revoltados, os pais dos alunos cobram da prefeitura providências. “É um absurdo e uma falta de respeito com os alunos faltar merenda nas escolas. As coisas estão difíceis em Betim, o prefeito está cortando todos os benefícios da população. Agora, a merenda? Se eles não têm amor por ninguém, que pelo menos tenham das crianças”, esbravejou o cabeleireiro Giovani Dias de Oliveira, 38.
Mãe de dois meninos de nove anos que estudam em uma escola municipal da cidade, a dona de casa Tiágina Luiz Coelho, 31, chamou a atenção para o fato de muitos alunos dependerem da merenda servida nas instituições para se alimentar.
“É um absurdo. O tanto que os vereadores gastam com gasolina, cadê a refeição das crianças? Eles merecem uma alimentação digna. Meus filhos mesmo estão reclamando que só comem macarrão todo dia. Colocam um cardápio com carne moída, estrogonofe, afirmam que tem nutricionista, que o cardápio é excelente, e não tem nada disso. Os meninos estão reclamando demais. Como estudam com uma merenda dessa? Tem criança que passa necessidade dentro de casa e, às vezes, vem para a escola para poder alimentar melhor e agora não tem isso também? O prefeito devia ir nas escolas para ver de perto essa situação”, disse.
Depois de receber denúncias de servidores da educação sobre a falta de abastecimento nas escolas, o vereador Antônio Carlos (PT) foi até as instituições para fiscalizar. “Confirmamos a falta da merenda nas escolas. Por isso, vou solicitar à Divisão de Merenda as notas fiscais dos últimos e pedir explicações da prefeitura sobre o problema. Caso não haja uma explicação plausível, podemos até acionar o Ministério Público”.
Posicionamento
A Secretaria Municipal de Educação informou que licitação com o fornecedor de carne homologada na terça (23) e afirmou que na, próxima semana, o fornecimento de carne estará regularizado nas instituições da rede municipal de ensino.