Câmara restringe acesso ao plenário e revolta funcionalismo

Devido à confusão na última reunião há duas semanas – quando servidores invadiram o plenário da Câmara durante a votação de projetos que cortaram benefícios do funcionalismo –, a direção da Casa restringiu o acesso da população na reunião da última terça--feira (28). Por ordem do presidente do Poder Legislativo, Marcão Universal (PSDB), apenas 80 pessoas puderam entrar para acompanhar a reunião, o que revoltou os servidores.

Para entrar no plenário, as pessoas tinham que se cadastrar e apresentar a senha na porta do plenário. A restrição revoltou quem foi acompanhar a reunião. “Isso é um absurdo, porque aqui é a ‘Casa do Povo’. Somos nós quem pagamos isso aqui, é fruto do nosso trabalho. As portas deveriam estar abertas para nos ouvir”, criticou a pedagoga Consuelo Arruda Ribeiro.

O autônomo Sebastião Calixto também não concordou com a postura da Casa. “No nosso país, o único direito que a gente tem é pagar as coisas. Participar não, mas pagar, sim”, completou.

As pessoas que conseguiram acesso ao plenário gritavam “deixa o povo entrar” e “a casa é do povo”. Para a diretora do Sindicato dos Servidores da Saúde (Sind-Saúde) de Betim, Berenice Freitas, duma situação dessas é inadmissível para a cidade de Betim. “Os vereadores devem governar para o povo, não para o prefeito. É um absurdo a Câmara estar fechada não apenas para os servidores, mas para as outras pessoas, que não puderam exercer seu direito de cidadão”, afirmou.

Segundo o vereador Eutair dos Santos (PT), caberia mais gente do que as 80 senhas liberadas. “No mínimo, mais 30 pessoas. Se foi para garantir a segurança, foi importante, mas haveria outras formas melhores de resolver essa questão”, disse.

O presidente Marcão Universal justificou a limitação. “Foi por uma questão de segurança, tanto para os vereadores quanto para o público. As pessoas têm o direito de se manifestar, desde que não entrem no plenário da Câmara”, disse. “Não temos um laudo do Corpo de Bombeiros para atender toda essa gente”, acrescentou.

Ato
O funcionalismo municipal realizou um ato na terça-feira (28) contra os projetos que retiraram e limitaram benefícios dos servidores, além das alterações que a prefeitura pretende fazer nas regras do Instituto de Previdência Social do Município de Betim (Ipremb), que não foram para votação.

O protesto reuniu mais de 2.000 pessoas e saiu da praça embaixo do viaduto do Jacintão e se dirigiu ate a Câmara. Com carro de som e faixas como “Não ao calote na previdência”, “Carlaile, não retire direitos dos servidores”, os manifestantes fizeram um protesto contra a prefeitura e contra a Câmara. Quando chegaram em frente à sede do Poder Legislativo, os trabalhadores fecharam o cruzamento da avenida Governador Valadares com a rua Rio de Janeiro por cerca de três horas.

A prefeitura não quis se pronunciar sobre o protesto do funcionalismo contra as últimas medidas da administração municipal.

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