Na manhã desta terça-feira (7 de abril), em seu Plenário, a Câmara Municipal de Betim promoveu uma Audiência Pública para discutir a possível reforma e transformação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sete de Setembro em Centro Materno-Infantil. O evento foi solicitado pelo vereador Marcos Roberto (PRB), por intermédio do Requerimento nº 210/14.
O presidente do Poder Legislativo, vereador Marcão Universal (PSDB), abriu os trabalhos e disse que reconhece a situação econômica delicada e recessiva por que passam os municípios e as 27 Unidades da Federação do Brasil. “Apesar desse cenário, temos de nos mobilizar para oferecer às nossas crianças um bom atendimento médico. Por isso o tema dessa Audiência é tão importante e esperamos contribuir para que o sonho da construção do Centro Materno-Infantil se concretize em Betim rapidamente”, afirmou Marcão.
Autor do Requerimento que viabilizou a realização do debate, Marcos Roberto iniciou sua participação lembrando que as crianças são mais vulneráveis a determinados tipos de doença e que merecem atendimento específico, separado daquele ofertado aos adultos. “É traumático para as crianças chegar a uma unidade de saúde e ver pessoas ensanguentadas ou tendo convulsão. Precisamos atender as demandas específicas das crianças em locais exclusivos para elas”, frisou o vereador.
O secretário municipal adjunto de Saúde, Junio de Araújo Alves, fez uma detalhada explanação sobre o funcionamento da Pasta, mostrando números e apontando os gargalos existentes. Em Betim nascem 35 bebês por dias e 12.775 por ano. A taxa de mortalidade infantil é de cerca de 10 por 1.000 partos realizados na rede pública. “Quando assumimos a taxa de mortalidade era de 13 por 1.000 e queremos chegar aos índices dos países desenvolvidos, como a França, em que a taxa está em 0,7 por 1.000”, revelou.
As equipes de saúde da família aumentaram de quatro, há dois anos, para 90 atualmente.
UPA Sete de Setembro não comporta Centro Materno-Infantil
Sobre o Centro Materno-Infantil, Junio explicou que o prédio da UPA Sete de Setembro, apesar de ser localizado próximo à área central do município, é antigo, precisa de amplas reformas e não comportaria esse tipo de demanda. O gerente da unidade, Wesley Andrade, endossou essa análise.
A Secretaria Municipal de Saúde trabalha para que a UPA Norte, que fica no Bairro Bom Retiro, e a UPA Teresópolis sejam estruturadas para contemplar o atendimento infantil.
A mesma estratégia foi defendida por Yamara Colares, coordenadora de Urgência e Emergência da Secretaria. Foi esclarecido que as quatro UPA’s existentes em Betim continuarão a atender o público em geral, com o diferencial que na Norte e na do Teresópolis as crianças terão um espaço próprio, adequado para evitar o atendimento ao lado dos adultos.
Pela legislação federal, cada município brasileiro pode abrigar o máximo de quatro UPA’s, patamar que já foi alcançado por Betim.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Carlos Alberto Santos, destacou que a reforma e ampliação da rede física da Secretaria de Saúde é um dos pontos principais da 12ª Conferência Municipal de Saúde.
Já o representante da Secretaria Municipal de Governo, Paulo Heleno Moreira, mostrou os esforços do Poder Executivo para melhorar o atendimento aos usuários da rede pública de saúde. “Entre 2013 e 2014, 600 profissionais de diversas áreas da saúde foram contratados pela Prefeitura. Queremos aliviar a sobrecarga existente e melhorar o panorama para cidadão”.
A Audiência Pública foi encerrada com a participação de populares que, de maneira unânime, defenderam a ampliação das unidades de saúde para que crianças não concorram com adultos no momento delicado da busca por atendimento médico.