A Câmara Municipal de Betim realizou Audiência Pública em seu Plenário, na quarta-feira (15 de abril), para debater a legitimidade de resultados de exames de leishmaniose realizados pelo Centro de Zoonoses e o recolhimento de cães que possivelmente estariam saudáveis. O evento foi solicitado pela vereadora Marilene Torres (PRP), por intermédio do Requerimento nº 55/2015.
Em sua fala inicial, Marilene ressaltou a necessidade de que sejam feitos três exames nos animais para se comprovar efetivamente a contaminação pela leishmaniose, caso em um deles o resultado tenha sido positivo. “A contraprova é fundamental para que se evite ao máximo a eutanásia do cão, que muitas vezes é amado como se fosse um ente querido da família. Temos de avanças na prevenção à leishmaniose para combater o mosquito transmissor da doença”, afirmou a parlamentar.
O gerente do Centro de Zoonoses, Sérgio Chumbinho, explicou que os cães recolhidos são submetidos a dois exames e se o resultado for positivo em ambos, ocorre a eutanásia. Esse procedimento, segundo ele, é preconizado pelo Ministério da Saúde.
Se o dono do animal quiser fazer o exame de leishmaniose terá de recorrer a laboratórios credenciados, os únicos cujos resultados são aceitos pelo Centro. Caso o animal recolhido esteja saudável, ele é esterilizado e solto no local em que foi recolhido.
A presidente da Sociedade Protetora dos Animais de Betim, Zilda Cabral, disse de maneira enfática que não existem políticas públicas competentes para lidar com os animais. “Matar os cães não resolve o problema da leishmaniose. É preciso combater o vetor da doença, que é o mosquito palha”, ressaltou.
Zilda acrescentou que considera um terrorismo o recolhimento de cães domiciliados e que interesses econômicos é que acabam por determinar as estratégias de combate à leishmaniose.
Elizabeth Brigitta, proprietária de um cão que foi sacrificado pelo Centro de Zoonoses, relatou o seu drama, qualificando de carnificina canina o que vem ocorrendo em Betim.
O secretário adjunto de Saúde, Júnio Araújo Alves, revelou que sua Pasta segue as diretrizes do Ministério da Saúde para o combate à leishmaniose e que o trabalho atualmente desenvolvido pelo Centro de Zoonoses é adequado. Indagado sobre a construção de um canil municipal, Júnio descartou essa possibilidade. “Somos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS), que não adota o canil como estratégia”, finalizou.