Apesar de estarem conectados nas redes sociais e de serem um dos responsáveis pelas manifestações nos últimos três anos, os jovens com 16 e 17 anos se afastaram um pouco da política. Pelo menos, na hora de irem às urnas.
É isso que revelou o perfil do eleitor divulgado nesta semana pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pelo balanço, nessa faixa etária em que o voto é facultativo, caiu o número de jovens que fizeram seu título de eleitor para as eleições deste ano se comparando com as duas últimas eleições.
Neste ano, 3.114 jovens de 16 e 17 anos estão aptos a votar na cidade. Esse número é 9,5% menor que o registrado há dois anos, nas eleições gerais, quando foram contabilizados 3.443 eleitores dessa faixa etária.
Em comparação com a última eleição municipal, realizada em 2012, a redução é ainda mais acentuada. Naquele ano, eram 4.938 jovens nessa faixa etária que optaram por votar número 37% maior que o registrado neste ano.
Essa queda no número de votantes de 16 e 17 anos não aconteceu apenas em Betim, mas também no país inteiro. Segundo o balanço do TSE, a quantidade de jovens dessa faixa etária caiu 20% na comparação com a eleição municipal de 2012. Naquele ano, eram 2,9 milhões de jovens e agora são 2,3 milhões. Em Minas Gerais, são 171 mil eleitores contra 287 mil registrados há quatro anos.
“Esse desinteresse do eleitorado com 16 e 17 anos reflete um sentimento de antipolítica que se espalhou por todos os setores da sociedade”, acredita o professor de ciência política Milton Lahuerta.
Na outra ponta, a quantidade de eleitores acima de 70 anos – faixa etária em que o voto também é facultativo – soma 14.469 eleitores, o que equivale a 5,2% do total de betinenses. O número é maior que o registrado em 2014, quando eram 12.356 pessoas.
A faixa etária em que se encontram mais eleitores é a de 30 a 34 anos, com 33.479 eleitores.
Outros dados do perfil também chamam a atenção. Segundo o TSE, assim como foi nos últimos anos, a maioria dos eleitores é do sexo feminino: 146.123 votantes são mulheres, ou 52,5% do total.
Escolaridade
Em relação à escolaridade, a faixa entre que os não concluíram o ensino fundamental engloba o maior número de eleitores: são 86.453, ou 31% do total dos betinenses. Outros 26% declararam que encerraram esse ciclo.
Entre os que iniciaram o ensino médio, 26% deles não o concluíram, o que corresponde a mais de 72 eleitores. Já 18,6% dos betinenses aptos a votar foram até o fim do ensino médio.
Já entre os que ingressaram no ensino superior, 2,2% dos votantes já conquistaram o terceiro grau, enquanto que 2,7% ainda cursa uma faculdade.
Por fim, se declararam analfabetos 9.048 eleitores betinenses, e outros 21.720 sabem apenas ler e escrever (com agências).
Justiça Eleitoral alerta candidatos sobre propaganda
A Justiça Eleitoral realizou uma palestra nessa quinta-feira (28) para pré-candidatos, apoiadores e interessados nas eleições deste ano, na qual foram apresentadas as novas regras de propaganda eleitoral.
O evento aconteceu no auditório do centro administrativo e contou com os três juízes eleitorais de Betim: Marcelo Trigueiro, diretor do foro eleitoral e juiz da 316ª Zona Eleitoral; Gustavo Cheik, da 319ª Zona Eleitoral; e Adalberto José Rodrigues, da 40ª Zona Eleitoral.
Entre as mudanças, está o menor prazo de campanha – 45 dias – e a proibição de algumas ações que antes eram liberadas. “O evento teve como objetivo explanar as diretrizes gerais da legislação. Claro que cada situação é um caso, mas passamos as linhas gerais aos interessados”, disse o juiz Gustavo Cheick. “Neste ano, por exemplo, é proibido o uso de cavaletes, outdoors ou materiais semelhantes, além do financiamento de pessoa jurídica para as campanhas, dentre outras mudanças”, completou Cheik.
O juiz Marcelo Trigueiro, diretor do Foro Eleitoral, reafirmou que as eleições serão diferentes. “Como já estamos dizendo nas palestras, estas serão as eleições mais desafiadoras de todos os tempos, pois a legislação se tornou mais rígida e diminuiu os prazos de campanha. Então, é preciso que os prováveis candidatos devam ficar mais atentos”,
Fiscalização
Ainda de acordo com o magistrado, a Justiça está preparada para atuar no pleito municipal deste ano. “É preciso enfatizar aos prováveis candidatos e àqueles que os acompanham que sigam devidamente a legislação eleitoral, pois haverá uma maior fiscalização da Justiça, principalmente, para coibir todo e qualquer ato que não cumpra com as exigências da lei. Hoje, a eleição no Brasil não se limita a simplesmente pedir votos, mas, também, respeitar e fazer cumprir a lei. Há diversos meios para os envolvidos nas eleições se informarem sobre o que é ou não permitido, e, por isso, não há desculpas que não se sabia das regras”, acrescentou Marcelo Trigueiro.