A gestão dos recursos em Betim continua de mal a pior. Mais uma vez, o município obteve uma avaliação ruim em um estudo realizado nacionalmente pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Só que, desta vez, a cidade obteve sua pior nota em dez anos de levantamento, ficando com o posto de uma das piores gestões do país.
O resultado da pesquisa apontado pelo Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) – que avalia a maneira como os municípios arrecadam, como investem em melhorias para a população, a capacidade de pagar suas dívidas, como esses recursos são gastos e a liquidez administrativa– teve como base dados da administração municipal de 2015, declarados pelos próprios municípios ao Tesouro Nacional.
Segundo essa avaliação da Firjan, o IFGF de Betim foi de 0,3295, o pior desde o lançamento do estudo, classificando a gestão da cidade como “crítica”. Nessa avaliação, quanto mais próximo de 1 é a nota, melhor é a gestão de recursos. Ao todo, foram 4.688 municípios pesquisados no país. No ranking nacional, Betim ficou na posição 3.699. Já na listagem estadual, a cidade ficou em 524º lugar entre 682 municípios mineiros.
Para efeito de comparação, outras cidades mineiras com população e arrecadação semelhantes a Betim apresentaram resultados bem melhores, como Uberlândia (7ª), Juiz de Fora (43ª) e Contagem (74ª).
O que chama a atenção é a queda vertiginosa da avaliação de Betim ao longo dos anos. Em 2006, na primeira edição da pesquisa, a cidade obteve o IFGF de 0,6358, classificado como “gestão boa” de recursos. Ou seja, Betim conseguia pagar suas dívidas, fazer investimentos e oferecer serviços de razoáveis a bons para a população.
Já em 2015, o índice de 0,3295 foi o pior da história, com conceito D (o mais baixo). Na avaliação da Firjan, houve uma piora de 48% na gestão de recursos por parte dos administradores da cidade em dez anos. Das cinco áreas que são levadas em consideração para se chegar ao resultado final do IFGF, a pior avaliada foi a liquidez (capacidade de pagar dívidas). Betim recebeu nota 0, assim como em anos anteriores.
Segundo o coordenador de Estudos Econômicos do Sistema Firjan, Jonathas Goulart, essa é a principal questão da gestão crítica da cidade. “Desde 2006, quando fizemos o primeiro estudo, a avaliação da gestão de recursos em Betim piora de forma sistemática e vertiginosamente. Além disso, percebe-se que, desde 2010, a liquidez administrativa de Betim, que é a capacidade de pagar suas contas sem deixar restos para o ano seguinte, é sempre a pior área na avaliação. Isso demonstra que faltou um planejamento financeiro sério por parte das administrações dos últimos anos, o que ocasionou no endividamento do município”.
Para o especialista, esse histórico de uma inexistente liquidez reflete em outras questões, como a capacidade de investimento da cidade, que obteve a segunda pior nota. “Com o crescimento do endividamento do município, já que não se consegue ter receitas sobrando, fica impossível a cidade fazer investimentos em obras e políticas públicas para a população”, completou.
Inércia
Para Goulart, faltou visão administrativa da cidade nos últimos anos, o que explica os resultados ruins. “Apesar de a economia entrar em crise nos últimos dois, três anos, percebemos que não houve uma capacidade de planejamento financeiro em Betim. A economia já dava sinais de possível queda, a partir de 2011, e o município não se ateve a isso. Não se preparou para que, quando o ciclo ruim da economia chegasse, a cidade estivesse preparada”, disse. “É preciso que se restabeleça um planejamento financeiro e orçamentário para que a cidade volte a ter capacidade de investimento e possa melhorar sua administração”, concluiu.
Procurada, a Prefeitura de Betim informou que não iria comentar a pesquisa.