A dengue continua acometendo pessoas em Betim. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou nesta terça-feira (19) a primeira morte em 2016 por causa da doença. Entretanto, em fevereiro deste ano, a reportagem já havia divulgado o caso de Leandro Dias da Silva, de 33 anos, que, segundo atestado de óbito mostrado por familiares, faleceu depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) causado por dengue hemorrágica. Mesmo com o documento, a secretaria não confirmou que o falecimento dele foi em decorrência da dengue na cidade.
Apesar de não informar os dados da vítima, a secretaria informou que o óbito ocorreu na regional Imbiruçu, uma área em que os problemas da falta de prevenção, do excesso de lixo em vias públicas e dos lotes vagos sem fiscalização são alvo de inúmeras reclamações por parte da população.
É o caso do auxiliar de motorista Moisés Rios da Silva, de 27 anos. Ele mora no bairro Imbiruçu e contou que já teve dengue duas vezes. “Minha mulher também ficou doente, enquanto estava grávida. Ficamos muito preocupados e continuamos, porque a sujeira aqui na região é terrível. As pessoas jogam muito entulho nas ruas, que se acumula, porque os garis não recolhem esse tipo de lixo. A prefeitura tem que dar uma solução”, reivindicou.
“Tem um túnel perto da praça onde jogam muito lixo, o que atrai mosquitos da dengue. Já fui vítima da doença e fico preocupado com o descaso das autoridades. Acho que a prefeitura deveria disponibilizar mais caçambas nas ruas para as pessoas poderem jogar entulho”, disse Francisco Coelho, outro morador do bairro Imbiruçu.
Epidemia
Segundo boletim epidemiológico divulgado nesta semana pela Secretaria Municipal de Saúde, neste ano, já são 8.839 casos confirmados e 16.966 notificações da doença.
Os dados são alarmantes. Para se ter uma ideia, a taxa de casos confirmados em Betim é de 2.119 para uma população de 100 mil habitantes, considerando-se a estimativa populacional para o município em 2015, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, taxa a partir de 300 doentes por cada grupo de 100 mil moradores em determinado lugar já é considerado epidemia.
Ainda de acordo com a secretaria, pelo menos 294 pessoas suspeitas de estarem com zika procuraram as unidades de saúde da cidade até o dia 5 de julho. Já as notificações por febre chikungunya chegam a 64.