Betim registra mais de 11 mil roubos e furtos

Ao longo de 2015, 11.100 pessoas foram roubadas, extorquidas violentamente ou tiveram algum pertence subtraído em Betim, seja na rua, no comércio ou dentro de casa, conforme dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Isso dá uma média de 30,4 ocorrências do tipo por dia na cidade. No caso de roubos, o município é o terceiro com maior número de registros em Minas, perdendo apenas para Belo Horizonte e Contagem, e registrou a maior quantidade desse tipo de crime desde 2012. Foram 6.043 registros em 2015, 120% a mais que em 2014, quando houveram 5.086 ocorrências – média de 16,5 casos por dia.

Os dados refletem a sensação de insegurança e de impunidade que vivem os moradores betinenses. Esse é o caso da operadora de caixa Aguida Olivia Rodrigues, 31. No fim do mês passado, ela e o namorado foram assaltados enquanto aguardavam no ponto de ônibus, às margens da avenida Edmeia Matos Lazzarotti, no bairro Ingá. “Dois homens, sendo um armado, nos abordaram. Levaram nossos celulares, minha bolsa, cartões e dinheiro. Fiz o boletim do ocorrência para evitar problemas futuros com a minha documentação, mas não tenho esperanças de reaver nenhum objetos. Mas o pior é o trauma. Agora, morro de medo de andar a pé ou mesmo pegar ônibus. Tomo mundo que se aproxima, fico desconfiada”.

Na última segunda-feira (14), outro caso de roubo com uso de violência chamou a atenção. O cofre de um posto de gasolina no bairro Jardim Teresópolis foi explodido por criminosos. Segundo um funcionário do local, três homens chegaram em um carro, renderam o vigia e colocaram os explodidos no cofre. “Com a explosão, um dos suspeitos ficou ferido após a parede do equipamento cair sobre ele. Tem até sangue dele no chão. Além disso, um tênis e uma touca-ninja do bandido também ficaram no local”, disse o funcionário do posto.

O criminoso que ficou ferido foi socorrido pelos comparsas. Eles fugiram com cerca de R$ 5.000. O local onde estava o cofre ficou destruído, mas o prejuízo total não foi informado.

Entraves

Para o cientista político e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Robson Sávio, além dos números serem subestimados, há falta de prevenção da polícia para que esses crimes aconteçam. “No Brasil, as pessoas têm desconfiança de fazer o boletim, seja pela demora, pelo mau atendimento, ou outras questões. Isso prejudica o melhor diagnóstico dos crimes. Já o sistema policial, não trabalha com a perspectiva de prevenção e age depois que o crime aconteceu”, explicou. Ainda conforme Sávio, é preciso ações mais efetivas para o desmantelamento das redes de receptação dos produtos subtraídos. “Outra problema é que a mesma população que cobra ações é aquela que compra a mercadoria roubada ou furtada”, disse.

Minientrevista

Qual sua avaliação sobre esses índices?

O município tem um histórico de alto índice de crimes. Mas esse aumento revela, principalmente, a situação de crise econômica do país. O desemprego só aumenta, o que faz com que algumas pessoas optem por cometer delitos.

Porque houve aumento do número de roubos?

O crime patrimonial em si teve um aumento. O que percebemos é que tem havido uma mudança na forma como eles são praticados. Com o aumento da segurança de veículos e casa, por exemplo, a prática do furto fica mais difícil. Assim, para cometer o crime, o delinquente está agindo com mais violência.

O que está sendo feito para diminuir os números?

Nosso trabalho de combate ao crime é diário. Compete a Polícia Civil investigar, efetuar a prisão de delinquentes e apreender objetos. De janeiro até agora, a Delegacia Regional recuperou 16 veículos, fora o que foi feito nas cinco distritais. Por mês, realizamos até 110 flagrantes.

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