Betim lidera mortes por atropelamento na BR–381

O trecho da BR–381, em Betim, que por vários anos esteve no ranking das estradas mais perigosas do Brasil, conforme informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), faz parte agora de mais uma triste estatística: o de trecho campeão em mortes por atropelamentos na Fernão Dias. De janeiro a agosto deste ano, dos 96 atropelamentos ocorridos ao longo das 570 quilômetros da rodovia, 25,8% ocorreram na extensão viária que passa pelo município, ou seja, foram 24 ocorrências. No total, foram 15 vítimas fatais em 2016 na rodovia, sendo três óbitos registrados somente na cidade. Os dados são do Centro de Controle de Operações da Autopista Fernão Dias, concessionária responsável pela rodovia.

Mas qual a causa de a malha viária da 381 em Betim concentrar a maior parte dos atropelamentos? Segundo o diretor-superintendente da Autopista Fernão Dias, Helvécio Tamm, a explicação está na proximidade da rodovia em Betim com os centros urbanos. “Os trechos próximos aos grandes centros apresentam grande fluxo de pessoas que, na maioria das vezes, preferem utilizar a pista ao invés das passarelas para atravessar para o outro lado da rodovia”.

Segundo o centro de controle de operações, 64% dos atropelamentos ocorrem até um quilômetro de distância das passarelas. “Utilizar o dispositivo é a única forma de atravessar a rodovia com segurança, eliminando as chances de atropelamento”, completou Tamm. Em Betim, conforme a Autopista Fernão Dias, existem 22 passarelas instaladas em pontos estratégicos.

Indignação

Para a dona de casa Rosilene Aparecida Carvalho, 38, que perdeu seu filho, um menino de 8 anos, após ele ser atropelado e arremessado por um carro de passeio, no dia 22 de fevereiro deste ano, na BR–381, na altura no bairro Jardim Teresópolis, é preciso melhorar a sinalização na rodovia. “Meu filho foi atropelado próximo à uma passarela, mas ele é uma criança, não tinha noção de perigo e dos cuidados que tinha que tomar. Os carros passam por esse trecho em alta velocidade e muitas crianças atravessam esse local todos os dias para passar para o outro lado do bairro. Se existisse uma tela sobre a barreira de concreto na divisa da pista, ele não teria como ter atravessado e, quem sabe, estaria entre nós hoje. Não entendo porque até hoje não construiram isso?”.

No dia do acidente, o pequeno Wiliam Barbosa Carvalho Oliveira e outras crianças tentavam atravessaram a rodovia na altura do KM 488. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, um condutor seguia pela BR sentido Belo Horizonte dentro da velocidade permitida no trecho, mas não conseguiu frear e atingiu o Wiliam. O garoto foi jogado para a pista no sentido São Paulo e morreu na hora. Os outros meninos não se feriram.

Especialista em engenharia de transporte e trânsito e professor da Fumec na área de transporte e trânsito, Márcio Aguiar afirmou que, como na maioria das vezes, a travessia correta (passarela) dos pedestres é distante, muitos acabam arriscando a vida. “No caso de Betim, é preciso, primeiro, que a concessionária invista em pesquisa e descubra os pontos que têm mais acidentes. Depois, encontre os pontos que têm maior necessidade da instalação de travessias (passarelas) e as construa. Se isso não reduzir os índices de acidentes, uma solução é bloquear com tela os segmentos da rodovia onde têm mais acidentes para forçar os pedestres a atravessar pela travessia”, afirmou. “Mas a solução definitiva para o problema é a implementação da transposição do fluxo de veículos de carga da região metropolitana através do Rodoanel”, completou.

Ação

Na Semana Nacional do Trânsito, para tentar conscientizar os betinenses sobre atitudes responsáveis no trânsito, a Arteris, companhia do setor de concessões de rodovias do Brasil, entre elas, a BR–381, realizou uma ação no KM 492 da rodovia, próxima ao Partage Shopping. Durante as atividades, os pedestres, além de receberem brindes e folhetos informativos sobre o tema, puderam realizar exames básicos de saúde, como aferir pressão arterial e calcular o índice de massa corpórea. A campanha faz parte das mais de 900 ações que serão realizadas pela Arteris em setembro em cinco Estados.

Para a moradora Josiane de Lana Oliva, 31, a ação da Autopista foi superimportante. “Eu já fui atropelada há alguns anos e sei como é ruim essa sensação. Precisei ir para o hospital e levar alguns pontos. Não foi na BR–381, mas bem próximo. Hoje, a ação que a Autopista está fazendo é super importante. Ela conscientiza as pessoas sobre os riscos que todos nós corremos se não respeitarmos as leis de trânsito. No caso de nós, pedestres, temos que usar as passarelas e tomarmos muito cuidado. Já os motoristas precisam redobrar a atenção. Se cada um respeitar o espaço do outro, tudo dá certo”.

O técnico de segurança do trabalho da Autopista, Rodrigo Lopes, o objetivo da ação é preservar a vida das pessoas, incentivando o uso correto das passarelas, e mostrando os risco. “Nesse trecho, o fluxo de veículo é intenso e o número de pedestre também, então, se as pessoas utilizarem as passarelas, diminuirá os riscos desse tipo de acidente”, afirmou. (Com Thalita Marinho)

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