“Deus ganhou mais um anjo no céu. Filho..., seus pais, irmãs, avós, primos, tios, padrinhos e seus amigos jamais irão esquecer de você, pois te amamos muito. Saudade eterna”. Essa foi a última homenagem feita pela família do menor de 17 anos, V.O.S., após ele ter sido assassinado a tiros a apenas 50 metros de sua residência, no Betim Industrial. A trágica morte, ocorrida no último dia 26 de maio, confirma uma triste estatística divulgada pelo Mapa da Violência 2015, que aponta que Betim é o município em Minas Gerais com o maior número de homicídios de adolescentes de 16 e 17 anos, superando Ribeirão das Neves e Contagem, que possuem uma população jovem superior. Esses municípios ficam em segundo e em terceiro lugar, respectivamente.
Pelo estudo, elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, 68 menores de 16 e 17 anos foram executados no município, entre 2011 e 2013. Considerando a população dessa faixa etária – 14.285 habitantes –, a taxa de homicídios foi de 158,7, ou seja, 1.487 % maior que o aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de até dez mortes para cada grupo de 100 mil moradores. Em Minas, a taxa é de 51,2. “Observamos com enorme apreensão a existência de um elevado número de municípios com taxas totalmente inaceitáveis de assassinatos de adolescentes, fato esse que exige medidas concretas e urgentes para frear a verdadeira pandemia de mortes de jovens”, alertou Julio Jacobo.
Especialista em segurança pública, Jorge Tassi explica que o principal sintoma do envolvimento dos jovens no mundo do crime está relacionado ao tráfico de drogas. Para ele, há uma falha gravíssima de segurança escolar nos municípios. “Infelizmente, a escola é o principal ambiente de cooptação de jovens para a criminalidade. É preciso haver uma maior interação e parceria entre a Polícia Militar, a Guarda Municipal e a Secretaria de Educação para realizar ações de prevenção dentro e no entorno das escolas”.
Segundo o comandante do 33º Batalhão da Polícia Militar de Betim, o tenente-coronel Edmilson Sabino, esse trabalho de prevenção já é realizado nas escolas, através do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), que busca dotar jovens estudantes de informações e habilidades necessárias para viver de maneira saudável, sem drogas e violência. “A falha é do sistema como um todo. O menor é apreendido, mas voltas às ruas e acaba sendo assassinado”, explicou.
Ainda conforme o estudo, que considerou 243 municípios com mais de 4.000 adolescentes nessa faixa etária, Betim ocupa a 21ª posição no ranking das cidades com o maior número de homicídios de jovens.
Reconhece
Por e-mail, a Secretaria Municipal de Segurança Pública reconheceu que o problema é grave e informou que existem ações que contemplam o público jovem por meio do plano municipal “Betim pela Paz”. “Exemplo disso é o programa #recomeçando, que visa a inclusão de adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social, que estão fora do sistema de ensino e do mercado de trabalho e, assim, reduzir os atrativos de ingresso de jovens no tráfico”.
Ainda conforme a prefeitura, a experiência piloto do programa terá duração de 3 anos consecutivos e ocorrerá, inicialmente, na região do Jardim Teresópolis e, posteriormente, nas regiões do Citrolândia e do Alterosas.