Betim já vive uma epidemia de dengue, de acordo com novo balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SES) na última segunda-feira,(6). São 1.306 casos confirmados da doença, o que representa 345 por grupo de 100 mil habitantes considerando-se o Censo 2010. No último balanço divulgado, no dia 27 de março, Betim registrava 1.076 casos da doença, o que representa um aumento de 230 notificações, cerca de 21%.
Mesmo de acordo com o cálculo da prefeitura, que se baseia na população estimada pelo IBGE em 2014, o número já supera a taxa limite do Ministério da Saúde, que considera epidemia quando há mais de 300 casos para cada 100 mil habitantes.
Segundo o novo balanço, Betim também segue em primeiro lugar no número de confirmações de dengue em Minas Gerais, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Uberlândia continua em segundo, com 972 casos. São, ao todo, 10.375 notificações no Estado.
O secretário de Saúde de Betim, Rasível dos Reis, confirma a gravidade da situação. “Apesar de todos os esforços, o município vive, infelizmente, uma epidemia de dengue”, afirma.
Culpa
Mesmo com Betim concentrando entulhos e lixo em vários pontos da cidade, Rasível atribuiu a culpa do problema aos betinenses.
Ele disse que o maior erro foi da população, que se ‘descuidou’ em relação aos criadouros do mosquito após a epidemia de 2013. “Quando temos uma epidemia, no ano seguinte as pessoas estão imunes ao vírus, que acaba não causando doenças. Com isso, a tendência é que as pessoas se descuidem, levando, no próximo ano, ao aumento da incidência da doença”, afirmou.
Sobre a limpeza de possíveis focos do mosquito Aedes aegypti, Rasível garantiu que a prefeitura irá aumentar as equipes de limpeza urbana.
Já quem teve a doença atribui a culpa à falta de limpeza da prefeitura. O professor Douglas Uilliam, 31, morador do Marimbá, diz que foi picado pelo mosquito Aedes Aegypti na casa da mãe, no Cachoeira, local, que segundo ele, concentra vários focos do mosquito. “Falta limpeza aqui. Na beira da linha do trem, por exemplo, tem água parada e vários focos. Muita gente pegou dengue por isso”, afirma.
A irmã dele, a conselheira tutelar Daiana Aparecida, 28, também teve dengue. “Eu estava grávida de 9 meses e fiquei com muito medo. Foram oito dias de dores e passando muito mal”, lembra.
Regiões
A regional com maior número de notificações da dengue é a Centro, com 1.052 casos até o dia 6 de abril. Os bairros mais afetados são Santa Fé, Filadélfia, Brasiléia e Centro. Em seguida vem Vianópolis, com 936 casos, e Alterosas, com 683 notificações. Imbiruçu e Norte vêm logo em seguida, com 590 e 586 notificações, respectivamente.
As regiões PTB (297), Teresópolis (158), Citrolândia (60), Petrovale (23) e Icaivera (0) são as menos atingidas.
Posto vai ajudar na hidratação
Diante da epidemia de dengue, a Secretaria Municipal de Saúde instalou, a partir desta sexta-feira (10), um posto de hidratação no Centro de Especialidades Divino Ferreira Braga que irá funcionar 24h por dia.
“Serão oferecidos soro, medicamentos, exames e acompanhamento médico. Serão dois médicos, enfermeiro, quatro técnicos de enfermagem e um auxiliar administrativo, auxiliando a população”, revela o secretário Rasível dos Reis.
Além disso, mais 28 Agentes de Combate às Endemias (ACEs) irão intensificar as ações contra a dengue e a febre chikungunya nas regiões com maior número de notificações. Também estão sendo realizadas ações de inspeção doméstica e troca de inservíveis – lixo que possa acumular água – por material escolar e mudas de árvores. “Estamos ainda promovendo palestras em escolas, mutirão de limpeza nas comunidades e aplicação do carro fumacê”, completa.