Betim enfrenta uma nova epidemia de dengue com 1.495 casos

Pelo segundo ano consecutivo, Betim enfrenta uma epidemia de dengue. Segundo boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde nesta semana, já são 1.495 casos confirmados da doença até a última segunda-feira (28), o que representa 358 confirmações para uma população projetada de 100 mil habitantes, considerando-se a estimativa populacional para o município em 2015. De acordo com a classificação da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde, lugares com mais de 300 doentes por 100 mil moradores já são considerados com epidemia. No ano passado, o município também teve um surto, só que, desta vez, ele chegou mais cedo.

No último balanço divulgado, no dia 18 de março, Betim registrava 1.208 casos confirmados de dengue, o que representa um aumento de 23,7% nas confirmações em dez dias. As notificações também cresceram consideravelmente nesses últimos dias: até segunda-feira (28), foram contabilizados 7.448 casos notificados, contra 6.389 do último boletim divulgado no dia 18 de março (variação de 15,5%).

Infectada pela dengue sete vezes, inclusive quando estava grávida da primeira filha, a personal chef Marina Brandão, 26, contou que contraiu a doença pela primeira vez, em 2007, logo quando se mudou para Betim. “Tive dengue hemorrágica duas vezes e fui infectada duas vezes, no mesmo ano. Estou traumatizada, morrendo de medo de pegar dengue de novo ou o pior, o zika, já que estou na minha segunda gestação. Cuido da minha casa, mas o que adianta se o meu vizinho não cuida e se há um descaso incontestável do nosso prefeito”, criticou a moradora do Vila Bemge.

Ações inócuas

Apesar de o município ter decretado no “Órgão Oficial” do dia 8 de março situação de emergência por 120 dias por causa da infestação do mosquito Aedes aegypti, representantes dos sindicatos de Saúde e moradores da cidades afirmam que as ações para combater o avanço do principal vetor da dengue, da zika e da chikungunya são inócuas.

Segundo a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores de Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), subseção Betim, Berenice Freitas, falta uma política de limpeza urbana eficaz no município. “Basta andar pelas ruas, que vemos lotes e praças tomados pelo mato e pelo lixo. Falta serviço de capina e de recolhimento dos resíduos”.

Rodrigo Oliveira, 35, morador do bairro Brasileia, concorda com a sindicalista. Nesta semana, durante uma caminhada pelo Horto Municipal – um espaço de lazer e de práticas esportivas sob responsabilidade da prefeitura –, ele flagrou lixo e pneus abandonados no local. “Fiquei assustado com a sujeira. A prefeitura não faz o seu papel enquanto poder público. O horto é um local de lazer, repleto de crianças e de idosos. Além do risco de contrair dengue, aquela sujeira é propícia para ratos e baratas”, afirmou.

Berenice chamou a atenção para outro problema no município: unidades lotadas, sem estrutura para atender os usuários infectados pela dengue. “Não há dignidade no atendimento. Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Sete de Setembro, por exemplo, os pacientes com dengue recebem a sorologia na garagem onde ficam as ambulâncias”, disse.

Zika

Os casos suspeitos de zika vírus também continuam a crescer em Betim. No dia 18 de março, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou que haviam 60 notificações da doença, sendo três mulheres grávidas infectadas. Vinte dias depois, já eram 72 notificações. A administradora Lígia Rocha Haro, 54, é uma das betinenses infectadas pela zika. “Passei muito mal e tive que andar de cadeira de rodas por causa da dor e do mau estar. É horrível. Tenho certeza que peguei no meu bairro, no Ingá baixo, porque outras duas pessoas que moram perto da minha casa também tiveram essa doença”.

Os registros de febre chikungunya também aumentaram nos últimos dias. No dia 18, eram seis casos e, na segunda (28), dez notificações.

Posicionamento

A Secretaria Municipal de Saúde alegou que tem promovido ações de conscientização e de participação popular no combate e no controle da dengue, como fazer visitas domiciliares para inspecionar as casas e para conscientizar a população sobre a importância do cuidado doméstico. A secretaria disse também que está avaliando a instalação de um posto para hidratação para os infectados.

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