Betim é a 4ª cidade em MG com mais desaparecidos

Betim é a quarta cidade com maior número de desaparecimentos sem solução em Minas Gerais. De acordo com balanço divulgado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PMMG), foram 303 casos registrados somente em 2016. Belo Horizonte lidera o ranking no Estado, com 1.343 pessoas desaparecidas, seguida de Uberlândia, Contagem, que tiveram 523 e 346 registros, respectivamente.

Quem tem um parente ou amigo desaparecido sabe bem a angustia e a dor de não saber o paradeiro de seu ente querido. Moradora do bairro Niterói, a auxiliar de serviços gerais Sara de Oliveira, 46, há quatro anos convive com a falta do filho, Leonardo Oliveira Ferreira, que completaria em abril deste ano 19 anos. “Ele saiu de casa em junho de 2013, dizendo que ia para uma festa junina com os amigos, no bairro Mutirão. Dizem que ele não gostou da festa e voltou mais cedo para casa, por volta das 22h, com um amigo andando. Quando estava chegando perto de casa, o amigo contou que eles se separaram e cada um foi para uma direção. Depois disso, ele nunca mais foi visto”, contou a mãe.

As tentativas de achar o adolescente foram frustradas. “Logo quando ele sumiu dei parte na polícia e procuramos por toda a parte. As pessoas nos ligavam dizendo que o corpo de um rapaz parecido estava no IML. Eu saia de casa até de madrugada escondido do meu marido. Na época, sofri tanto que meu cabelo começou a cair, eu não comia, cheguei a pesar 37 quilos. Só queria saber o que aconteceu com ele para ter sossego. Por isso, se alguém souber de algo, peço que ajude a nossa família”, pediu a mãe.

Outra família atordoada com o sumiço inexplicado de um ente querido é a de Genner Moreira Dias Trindade, 32. Ele desapareceu após sair andando sozinho de uma festa na avenida Flamboyant, no bairro Vargem das Flores, no dia 16 de janeiro. “No dia em que o Genner sumiu, ele estava com vários primos e outro irmão. Eles haviam bebido muito, mas ele era uma pessoa tranquila, não tinha envolvimento com nada de errado e não usava drogas. Também não estava com nada de muito valor. Como ele havia sido demitido há pouco tempo e estava com uma leve depressão, nossa esperança é que alguém tenha colocado algo na bebida dele ou que ele tenha tido uma perda de memória e esteja em algum lugar por aí, vivo”, disse a irmã de Genner, Roseane Trindade Dias da Silva, 27.

Como proceder
Diferente do que se pensa, não é necessário esperar 24 horas ou mais para registrar um boletim de ocorrência de desaparecimento. O ideal é que ele seja feito imediatamente para que a polícia comece a agir e levantar informações como o círculo de convivência da pessoas e a sua rotina. “É importante reforçar que, no caso de a pessoa ser localizada, a família também deve comunicar o aparecimento imediatamente, para que possamos finalizar a ocorrência e concentrar os esforços em outras ocorrências de desaparecimento”, salientou a delegada Indiara Thomaz Fróis Gomes.

O registro pode ser feito em qualquer delegacia, unidade de Polícia Militar ou mesmo pela delegacia virtual. Posteriormente a isso, a família deve comparecer na Divisão Especializada de Referência a Pessoa Desaparecida (na avenida Brasil,464, bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte) para autorizar o uso da imagem do desaparecido para divulgação. Em outras cidades do Estado, como Betim, o comparecimento presencial pode ser feito nas delegacias regionais. Para quem tiver informações a respeito de pessoas desaparecidas, o contato pode ser feito nas delegacias ou de forma anônima por meio do telefone 0800 28 28 97, válido para qualquer cidade do Estado. (Com Juliana Baeta)

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