Betim é a terceira cidade com o maior registro de roubos em Minas Gerais. Somente entre janeiro e maio deste ano, já foram contabilizados 2.388 crimes desse tipo, uma aumento de 29,29 % em relação ao mesmo período, do ano passado, quando foram registrados 1.847 casos. Os números foram divulgados na última terça-feira (23) pela Secretaria de Defesa de Estado Social (Seds).
Andar pelas ruas de Betim e se deparar com relatos de violência se tornou algo habitual. Na semana passada, cansados da onda de roubos, moradores que utilizam um ponto de ônibus na BR–381, na altura do KM 494, no bairro Petrópolis, se uniram e protestaram contra a falta de segurança na região.
Segundo um cuidador de pessoas com deficiência, que pediu anonimato, da última vez em que foi roubado, os bandidos o ameaçaram com um revólver. “Enquanto um apontava a arma para a minha cabeça, o comparsa ia atrás das outras pessoas que estavam no ponto”, contou.
Um comerciante da região Central, que também pediu para ter o nome preservado, contou que em janeiro ele foi vítima de um assalto a mão armada na avenida das Américas. “Três meses depois, o meu carro foi achado com um traficante em Sete Lagoas.”
Ainda conforme o comerciante, a população está amedrontada com tanta violência. “Falta policiamento e falta justiça também. Postos da Polícia Militar estão sendo fechados em Betim (centro e PTB) e isso faz com que os delinquentes criem, a cada dia, mais e mais coragem para poder agir. Não temos segurança e o medo nos faz perder até a vontade de trabalhar”, lamentou.
Outro betinense indignado é o vendedor Pablo Henrique da Silva Pena. Há um ano ele também teve o seu veículo roubado, na porta da sua residência, no bairro Niterói. “Os assaltos estão sendo cada vez mais frequentes na região onde moro. Nós não vemos policiais nas ruas para tentar impedir que esses crimes aconteçam”, criticou.
Crimes violentos
Os dados divulgados pela Seds apontam também um crescimento dos crimes violentos na cidade em 2015. As estatísticas consideram registros de estupro tentado e consumado, extorsão mediante sequestro, roubo, homicídio e tentativa de homicídio, sequestro e cárcere privado. Segundo o balanço, de janeiro a maio deste ano foram registrados 2.609 crimes violentos, enquanto que, no ano passado, foram contabilizados 2.504, um crescimento de 4,19%.
Conforme o comandante do 33º Batalhão da Polícia Militar de Betim, o tenente-coronel Edmilson Sabino, a PM vem fazendo um trabalho preventivo e prendido muitos autores de crimes violentos, sobretudo pessoas reincidentes. “De janeiro a junho deste ano, cerca de 600 pessoas foram presas em flagrante. Mas, desse total, 90% estão soltas, porque faltam vagas para elas serem encarceradas ou porque os julgamentos são demorados”, afirmou o comandante.