O atendimento aos pacientes em duas unidades de urgência e emergência de Betim, precisou ser interrompido ontem porque faltavam medicamentos e materiais básicos, como luvas, seringas e agulhas.
O fato aconteceu nas UAIs Alterosas e Teresópolis, causando revolta em pacientes e em funcionários das unidades. Um dos casos é o da usuária Daniela Maciel, de 22 anos. Mãe de quatro crianças, ela buscou a UAI Alterosas para tratar do filho de 5 anos com suspeita de dengue, mas teve que voltar para casa. “Ele está ardendo em febre e cheio de bolhas pelo corpo. Vim aqui, e me mandaram ir para outra unidade porque não tem medicamento. Não tenho dinheiro para pegar ônibus e ir para outro posto”.
No Hospital Regional, a realidade não é diferente. Segundo um servidor da unidade, que atende a população de Betim e de cidades vizinhas, ontem só havia seringa de 1 ml. “Não temos medicamentos básicos, como o analgésico dipirona. Também faltam materiais como seringas. Só temos seringa de insulina, de apenas 1 ml. Se um paciente sofrer um infarto hoje no Regional, tenho que aplicar o medicamento dez vezes nele. Isso é um absurdo. Nunca imaginei que fosse trabalhar em uma situação como essa”, afirmou.
Ministério Público
A diretora do Sindicato dos Servidores da Saúde (Sind-Saúde) de Betim, Berenice Freitas, disse que a situação na cidade é catastrófica. “Em 20 anos, nunca vimos nada igual. Agora, falta tudo. Por isso, pedimos uma reunião urgente com o Ministério Público para tratar do assunto, uma vez que já o notificamos sobre a situação, mas não obtivemos reposta. Se morrer alguém por falta de atendimento, a culpa será do prefeito”, disse.
A assessoria da Secretaria Municipal de Saúde informou que o estoque de materiais foi reposto pelos fornecedores e o atendimento nas Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) está sendo normalizado.