Depois de realizar um protesto no último sábado (9), quando “enterrou” a cultura da cidade, a classe artística promete realizar novas ações nos próximos dias contra a ausência de políticas culturais na cidade.
Na próxima terça-feira (19), os artistas vão fazer um encontro e definir quais serão os próximos atos. “Depois desse protesto no centro, vamos fazer outros pela cidade para mostrar não apenas porque o governo suspendeu o edital da Lei de Incentivo, o que é grave, mas, também, para denunciar que faltam políticas culturais, que são fundamentais no combate à violência”, disse o produtor cultural Ubiratan Moreira. “Além disso, o patrimônio cultural está sendo deixado de lado, com monumentos tombados abandonados”, completou.
Outra ação prevista para a próxima semana é a ação judicial contra a prefeitura por causa do cancelamento do edital 2015 da lei. As assinaturas necessárias já foram recolhidas, e o mandado de segurança coletivo na Justiça vai requerer que os projetos aprovados sejam financiados.
“Uma ação coletiva tem mais representatividade. Por isso, foi decidido ingressar com esse mandado de segurança com a assinatura de várias artistas. Até porque há um descumprimento de lei”, explicou o advogado André Diniz.
Além disso, está sendo marcada uma data para uma audiência com a Promotoria Estadual do Patrimônio Público e Defesa Cultural, cujo pedido está sendo feito com o apoio da Assembleia Legislativa.
Protesto
No protesto, os artistas vestiram de preto em luto pela cultura na cidade e levaram até um caixão para simbolizar a indignação da classe. Após cantarem “Adeus, cultura”, eles saíram em cortejo pelas avenidas Amazonas e Governador Valadares.
Além do caixão, faixas, apitos e cartazes também foram usados no protesto. Ao chegarem à praça Milton Campos, os artistas fecharam o caixão em frente ao terreno onde deveria ser construído o teatro municipal, cuja obra está paralisada desde 2012. “Estamos aqui para mostrarmos nossa revolta, porque a cultura está ‘morta’ na cidade, e a classe artística não tem incentivo para apresentar e fazer o seu trabalho”, declarou o músico Lázaro Mariano.
O produtor cultural Pedro Moura foi outro que participou da manifestação. “Não há hoje nenhuma política de fomento à cultura na cidade. Isso é ruim, porque os artistas estão deixando Betim e buscando incentivos e oportunidades em outros locais. Com isso, a cidade perde sua identidade cultural”, acrescentou Moura.
Fórum
Além da falta de políticas culturais, os artistas também criticam os horários do Fórum Municipal de Cultura. Segundo eles, as plenárias às 14h prejudicam a participação das pessoas. “É claro que o horário não é o ideal porque muita gente trabalha à tarde, não apenas integrantes da classe artística, mas, também, pessoas da sociedade em geral”, declarou o diretor e ator de teatro Emmano Garcia.
O Fórum está sendo realizado às terças e sextas, um dia em cada regional da cidade. O objetivo é montar um plano de cultura para os próximos dez anos. “Por isso que é muito importante a participação de todos, não só dos artistas, que deveriam ir, mas de toda a população”, disse Garcia.
Em nota, a prefeitura disse que não há abandono cultural em Betim, “uma vez que, mesmo sem aporte financeiro, continuam sendo realizados oficinas culturais e fóruns regionais em todo o município”. Em relação aos fóruns regionais, o município informa que, de 2013 a 2016, foram disponibilizados horários alternados para a classe artística. “A Funarbe coloca-se à disposição para diálogo e sugestões”, diz a nota.