Após agressões, servidores da saúde paralisam serviços

A onda de violência em Betim chegou também às unidades de saúde. Apenas neste mês, seis servidores públicos foram agredidos fisicamente na cidade, segundo o Sind-Saúde, o que dá uma média de uma agressão a cada três dias. As vítimas foram trabalhadores das Unidades de Atendimento Imediato (UAI) Sete de Setembro – dois agredidos –, Teresópolis, Guanabara, Alterosas e Unidade Básica de Saude do Angola. Por isso, funcionários da UAI Sete fizeram uma paralisação de 24 horas na terça-feira (24), pedindo mais segurança no trabalho.

Os servidores distribuíram um informativo à população explicando o porquê da paralisação. “Ofensas verbais e ameaças, infelizmente, se tornaram comuns. As pessoas ficam nervosas pela demora no atendimento e querem culpar a gente”, contou uma funcionária, que pediu anonimato.

Segundo o diretor do Sind-Saúde, Reginaldo Tomaz, no último dia 19, uma médica pediatra foi agredida na UAI Sete, e outro funcionário foi vítima da fúria de um usuário na UAI Teresópolis. “A demanda está altíssima devido ao surto de dengue. Então, o tempo de espera aumentou. Mas não é culpa dos funcionários. Nós não temos segurança para trabalhar. O novo secretário de Segurança Pública retirou a Guarda Municipal das unidades de saúde, deixando apenas um guarda patrimonial. Apenas no Teresópolis e no Hospital Regional há guardas municipais”, disse.

Ele também criticou a postura do secretário de Saúde, Rasível dos Reis. “Na última quinta (19), ficamos esperando alguém da secretaria aparecer após a agressão sofrida pela médica, até mesmo amenizar a situação, oferecer algum apoio, mas ninguém apareceu. Se nada for feito, vamos fazer novas paralisações e em outras unidades”, afirmou Tomaz.

Segundo outra diretora do sindicato, Conceição Pimenta, os funcionários estão apreensivos. “Quando alguém é agredido, toda a equipe é afetada. Muita gente está deixando a área da saúde em Betim porque não há segurança”, disse.

Audiência
Por causa da violência, foi aprovada na Câmara um requerimento de autoria do vereador Antônio Carlos (PT) para discutir o assunto no dia 17, na Câmara. Serão convidados os secretários municipais de Saúde e de Segurança, além do Sind-Saúde e os outros sindicatos da categoria, dos servidores e dos médicos.

Precário

Além da falta de segurança, os funcionários também sofrem com a infraestrutura precária. Segundo uma enfermeira da UAI Sete, materiais básicos de higiene pessoal não são fornecidos pela prefeitura. “Só as roupas de camas é que são fornecidas. Materiais como sabonete, shampoo para os pacientes, nós, os funcionários, é que temos que comprar. Ou seja, esses materiais que os pacientes estão tendo saem do nosso bolso”, disse. “Além disso, temos sofrido com a falta de vários medicamentos”, acrescentou.

Em nota, a prefeitura informou que mantém diálogo permanente com todas as categorias de servidores. Os serviços à população na área da Saúde são essenciais e o anúncio de cumprimento de escala mínima não atende a necessidade da população. “É imperioso salientar a importância de manutenção da escala completa de jornada dos serviços prestados”, informou a nota. Entretanto, sobre a falta de segurança, a prefeitura não se manifestou.

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