Mesmo depois de 24 anos de história no município ajudando milhares de pessoas com deficiência intelectual e múltipla, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Betim corre o risco de fechar as portas por falta de recursos. A crise financeira enfrentada nos últimos meses é tão grave – hoje, a dívida acumulada gira em torno de R$ 86 mil – que, nesta semana, a associação suspendeu as atividades temporariamente nesta semana. O objetivo, segundo a presidente da entidade, Patrícia Silva, foi o de chamar a atenção da população e das autoridades.
“Quando assumimos a Apae, em janeiro de 2014, o convênio da associação com a Prefeitura de Betim estava cancelado, desde dezembro de 2013, por causa de problemas com a prestação de contas. Depois disso, durante 20 meses, atuamos com dificuldade. Tivemos até que reduzir o nosso quadro de funcionários para não prejudicarmos o atendimento dos alunos. Mas, diante desse período de recessão, a situação piorou muito. As pessoas pararam de doar. Com isso, não estamos conseguindo pagar as nossas contas. A dívida acumulada gira em torno de R$ 86 mil e, todos os meses, aumenta em R$ 8 mil, já que sempre fechamos o caixa no vermelho. Se continuar dessa forma, vamos ter que encerrar com as atividades definitivamente”, afirmou Patrícia Silva.
Apelo das mães
A dona de casa Jacqueline Pereira de Andrade, 44, é mãe da Joaquim Elias, 7, que tem paralisia cerebral. Ela faz parte das centenas de pais que estão à procura de alternativas para manter a Apae em funcionamento. “A Apae precisa ser olhada pelos governantes e, com urgência. Infelizmente, Betim não sabe as coisas boas que são feitas aqui dentro. No município, nós já sofremos com a falta de especialistas e medicamentos e, se o que temos aqui acabar, a nossa situação vai se agravar ainda mais. Por isso, peço que as pessoas e as autoridades coloquem a mão na consciência e ajudem a associação”.
O pequeno Anthony Cássio da Paixão, 7, também teve na Apae um rumo. Portador de mielomeningocele, uma malformação congênita da coluna vertebral, ele é assistido na Apae desde quando tinha um ano. “Meu filho tinha muito dificuldade para andar e, depois que passou a ser tratado aqui, só teve melhoras. O tratamento que nossos filhos têm aqui, não conseguiriam ter em outro lugar na cidade. Por isso, estamos pedindo socorro para que as pessoas doem e para que o prefeito nos ajude com essa dívida”, disse Cassiana da Paixão, 37.
Outra mãe desesperada é Edilaine Pinho, 46. A filha dela, Bárbara Lacerda Pinho, 17, tem autismo, e também é assistida na Apae. “Desde os cinco anos minha filha é atendida aqui. Tudo o que nós sabemos, aprendemos aqui. Os governantes e as pessoas precisam entender a importância dessa instituição”.
Segundo a presidente, há várias formas para as empresas e pessoas fazerem doações para a atendida, que realiza mais de 500 atendimentos mensais. “Além de eventos, temos o troco solidário, no Super Luna, e as pessoas podem nos ajudar, através do telefone (31) 3539.1155.
Prefeitura promete celebrar convênio no ano que vem
Diante da medida drástica de suspender temporariamente as atividades da associação, nesta semana, uma reunião com representantes da Apae Betim e da prefeitura foi realizada, na sede do Centro Administrativo, na última quarta-feira (7). Na ocasião, de acordo com a presidente da associação, Patrícia Silva, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) prometeu celebrar um novo convênio com a entidade, a partir do ano que vem.
“Mas, antes de isso acontecer, ele (Carlaile) aceitou firmar um TAM (Termo de Ajustamento Municipal) com a Apae para que possamos parcelar a dívida que a associação tem hoje com o município. Para que o TAM seja assinado, será preciso, agora, apenas passar por trâmite jurídico”, explicou ela.
Depois disso, acrescentou Patrícia, a Apae poderá conseguir recursos por meio do FIA (Fundo Especial para a Infância e Adolescência) e participar de editais para receber recursos estaduais e federais. “Após essa medida drástica, conseguimos avançar. Estamos muito esperançosos e confiantes de que o prefeito vai cumprir com a sua promessa”, disse.
A Prefeitura de Betim informou que “será realizado um estudo jurídico para verificar a viabilidade de se firmar um TAM com a entidade”.