A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou o município a construir o aeródromo – área destinada a pouso, decolagem e movimentação de aeronaves. O anúncio foi feito pelo prefeito Vittorio Medioli na quarta-feira (23), em suas redes sociais.
O projeto foi elaborado pela Empresa de Construções, Obras, Serviços, Projetos, Transporte e Trânsito de Betim (Ecos) e prevê uma pista de pouso de 1.800 metros de comprimento por 45 metros de largura, para a primeira etapa do aeródromo (com possibilidade de expansão ao longo dos anos). A pista já está homologada para receber Boings 737.
O aeródromo será construído na região do Bandeirinhas, próximo ao distrito industrial, e terá o investimento de cerca de R$ 140 milhões, que serão provenientes da iniciativa privada. O empreendimento será voltado para a aviação privada e de carga, mais especificamente, para a manutenção e transformação de aeronaves, além de voos charters e executivos. O empreendimento se chamará “Aeródromo Inhotim” e, de acordo com o prefeito, mais de 30 investidores já manifestaram interesse em comprar cotas e aportar o capital necessário.
“MRV, JAT, EPO, PHV, Fiat, Gatti, BR Distribuidora, Nemak, Supermercados BH, Unimed, Mater Dei e ARG estão aderindo com subscrição de ações. Temos também o interesse de carga aérea, de fabricantes de aeronaves e grandes companhias interessadas em realizar a manutenção de suas aeronaves aqui”, afirmou. “O trabalho já realizado pela Ecos na viabilização do projeto e do licenciamento do aeródromo renderá a ela uma cota equivalente a R$ 16 milhões. Isso sem qualquer desembolso por parte da Ecos”, acrescentou o prefeito.
Esse interesse das empresas se deve aos diferenciais do aeródromo. “O projeto nasce com características que permitam sua expansão para uma categoria superior. Foi pensado para ser atraente, tanto pela operacionalidade quanto pelos custos das obras e futura manutenção”, disse. “Vale lembrar que é um investimento que equivale à metade do que foi gasto no Partage Shopping”, completou.
De acordo com o prefeito, os benefícios para cidade serão muitos, já que a indústria aeronáutica está em franco crescimento. “Os benefícios serão de toda ordem. Calculamos que, nos primeiros dez anos, o aeródromo vai gerar mais de 3.000 empregos diretos e estimulará 21 mil indiretos com as empresas que se instalarão em volta, gerando empregos e receitas para o município”, estimou.
A localização do empreendimento, próximo ao Distrito Industrial do Bandeirinhas, é outro fator que permitirá a vinda de empresas para a cidade. “Empresas de certo porte precisam de suporte aeronáutico, e o que estamos fazendo vai permitir que muitas escolham Betim exatamente por isso. São poucos os municípios no Brasil com esse tipo de estrutura”, salientou.
Projeto
O aeródromo ficará localizado em uma área total de um milhão de metros quadrados. Serão 24 hangares comercializados inicialmente, e a expectativa é de que a receita oriunda deles cubra os custos das obras de terraplanagem e de pavimentação. A previsão é que as primeiras aeronaves comecem a operar em 12 meses. “Já foram elaborados os estudos prévios e projetos de obra, tantos nos aspectos ambientais quanto de execução, e o projeto de terraplanagem está pronto”, acrescentou Medioli.
Para a presidente da Ecos, Marinésia Makatsuru, a aprovação da Anac se configura como um grande avanço. “As próximas ações serão as definições e processamento das desapropriações; realização de estudos para definição de área de segurança dentre outros quesitos que são necessários à liberação pelo comando da aeronáutica e o início das obras”.
Segundo Medioli, o nome "Aeródromo Inhotim" foi escolhido para que Betim fique em evidência mundial. "Inhotim é um nome respeitado no mundo inteiro, considerado o maior e melhor museu aberto de paisagismo e arte moderna. Betim só tem a ganhar com o prestígio mundial desse nome. Também será inicialmente a razão de maior movimento do mesmo, já que o Inhotim atrai voos executivos e Charter provenientes de todo o país. São cerca de 4.000 por ano”, afirmou.