Em um momento em que a política passa por sua maior crise de confiança e que políticos são achincalhados por todos os cantos em que ousam aparecer, os vereadores de Betim começam a planejar os próximos passos de suas carreiras. Muitos estão encontrando dificuldades até mesmo para se filiar em um partido e outros, com intenções de deixar o Legislativo e partir para voos maiores, estão sendo surpreendidos por ações na Justiça e processos que podem até inviabilizar os planejamentos realizados até aqui.
Este é o caso do vereador Weliton Sandro de Abreu, o Sapão, que deixou o PSB e se filiou ao PPS com a intenção de disputar uma vaga como vice-prefeito ou até mesmo como cabeça de uma das chapas majoritárias que irão concorrer nas eleições deste ano.
Na semana passada, Sapão recebeu uma notificação de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o deixou bastante preocupado. O processo movido pelo ex-vereador Raimundo Salomão (PMDB) que o acusa de abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio eleitoral (compra de votos) teve uma movimentação importante.
O relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, determinou que a ação que pede a impugnação do mandato de Welinton Abreu retorne a Minas Gerais para a oitiva de testemunhas. Ou seja, pessoas que teriam como provar as irregularidades praticadas pelo parlamentar serão ouvidas e seus depoimentos serão usados como base para uma decisão judicial.
Caso haja a comprovação de que o parlamentar tenha utilizado indevidamente ou abusado de recursos em sua campanha, no ano de 2012, ele pode até perder sua vaga na Câmara e ainda ficar com a ficha suja, o que o deixaria inelegível por oito anos.
De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), após a ação retornar para Betim para oitiva de testemunhas, o juiz profere a sentença caso não haja novas diligências.
Para Salomão, que acusa Sapão de usar a sua ONG “Projeto Espaço para Todos” para distribuir benesses e dinheiro para eleitores em troca de votos, essa decisão foi um grande avanço no processo. “Para mim foi uma importante vitória. Agora, testemunhas que não puderam ser ouvidas em 2014 e que já depuseram contra o Sapão no Ministério Público e na Polícia Federal serão intimadas e prestarão seus depoimentos”, afirmou.
Resposta
Sapão, que já entrou com um recurso contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, disse que está tranquilo com relação ao prosseguimento da ação, pois, segundo ele, quem irá julgar será a Justiça de Betim. “Estou muito tranquilo com relação ao processo. Não conheço as testemunhas que serão ouvidas, mas nós temos provas de que não houve nenhum uso da ONG para comprar eleitor. Não tenho medo de ser cassado. Por isso, acho que não tem como atrapalhar meus planos de ser pré-candidato a prefeito”, declarou. “Claro que é uma perseguição política, pois tenho dois mandatos de vereador e há interesses para que eu perca esse mandato”.
Uma eventual condenação de Sapão deixa o PPS em situação complicada. O partido imagina ter o vereador como puxador de votos ou, na melhor das hipóteses, como indicado para alguma coligação para o cargo de prefeito.
O presidente da legenda, Luciano Luna, disse que prefere não opinar sobre o assunto, já que ele não tem conhecimento dessa decisão do STF sobre o processo enfrentado por Sapão.