A cada dia, 16 pessoas são alvo de roubos em Betim

“Quando eles entraram, os reconheci. Fiquei amedrontada. Não queria chegar perto, sabia que iam me assaltar mais uma vez. Da última vez, apontaram uma arma para mim. Sorte que sou uma pessoa calma, e nunca reajo, senão, não sei o que poderia me acontecer”. O relato da funcionária Gyselle Nathasha, 18, que há cinco meses trabalha em uma padaria no bairro Jardim Alterosas, revela uma triste realidade vivenciada diariamente por dezenas de betinenses.

Apesar de governo ter criado desde o início deste ano uma Secretaria Municipal de Segurança Pública com o objetivo exclusivo de reduzir o alto índice de criminalidade da cidade – para isso, retirou R$ 76,5 milhões em recursos a serem investidos na educação, no esporte e na assistência social – os números da violência só têm aumentado, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), na segunda-feira (27). O roubo consumado é a modalidade criminosa que mais aumentou, contabilizando uma média de 16 boletins registrados por dia na cidade.

De acordo com a divulgação, somente nos três primeiros meses deste ano, houve 1.476 roubos consumados, um aumento de 43,7% em relação ao mesmo período de 2014, em que foram registradas 1.027 ocorrências. De janeiro a dezembro de 2014, foram 5.084 casos, um aumento de 85% em relação a 2012, quando foram contabilizados 2.746 casos.

A empresária Judite da Costa, 56, é outra vítima desse tipo de crime. Dona de uma confeitaria no Alterosas, ela conta que teve que mudar o endereço da empresa para fugir dos roubos. “Já fomos assaltados cinco vezes, só no mês passado foram duas. Meu funcionários e eu trabalhamos tensos”, desabafa.

Para o especialista em segurança pública, Jorge Tassi, esse aumento considerável do números de roubos é um problema social. Conforme ele, “diante do crescimento do desemprego, do endividamento e da queda na renda da população, algumas pessoas que haviam deixado a criminalidade, estão voltando a cometer roubos”.

Outra questão relacionada a esse aumento, acrescentou Tassi, diz respeito a facilidade da captação no mercado desses produtos adquiridos de forma ilegal. “No caso de Betim, isso acontece com muita facilidade. A pessoa rouba um produto para conseguir dinheiro e a receptação desses produtos acontece debaixo dos olhos das autoridades nos centros comerciais da cidade, sem que haja nenhuma fiscalização. Isso é papel da prefeitura e não da polícia. É preciso que o governo combata com mais eficácia esse mercado ilegal para inibir os roubos”.

Posicionamento

A assessoria da prefeitura informou que para reduzir o número de roubos “foi implementada, no início de abril, em pontos estratégicos da região Central, a Patrulha de Prevenção Comunitária da Guarda Municipal”, além de outras medidas.

Sobre as declarações de Tassi, o Secretário de Segurança, Luís Flávio Sapori, disse que elas são “equivocadas”. “O aumento de roubos em Betim está relacionado ao tráfico de drogas e à crescente impunidade no município. E o principal aspecto, nesse sentido, é o baixo efetivo das Polícias Militar e Civil”, declarou.

A Polícia Militar disse que 40% dessas ocorrências são de roubo a celulares. “As pessoas se expõe, usando o aparelho de forma ostensiva e ficando alheias a tudo o que ocorre a volta. Isso estimula a ação dos criminosos”. Conforme a PM, para inibir e prevenir esses crimes, a PM ganhou um reforço de 20 PMs do Batalhão Metropolitano.

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