Presidente do MGB Cléber Eduardo

Entrevista com o presidente do MGB (Movimento Gay de Betim, Cléber Eduardo.

 Quando foi criado o MGB (Movimento Gay em Betim)? E quais são os avanços conquistados ao longo desses anos para a comunidade LGBT da cidade?

10 dezembro de 2009 ao longo destes anos conseguimos colocar a Parada do Orgulho LGBT no calendário Oficial de eventos da cidade.
Lutamos pelo o reconhecimento do nome social das travestis e das transexuais nas redes de saúde do município. Realizamos por dois anos consecutivos os Seminários Municipais da Diversidade Sexual de Betim que discutiu várias temáticas.  E recentemente a maior conquista foi à afiliação a ABGLT, que é a maior Associação do gênero em toda a América Latina.
 

 Você acredita que hoje o movimento conquistou o tão sonhado espaço junto à sociedade? E quais foram essas conquistas?

Ainda não, pois temos um grande caminho a percorrer, não temos no país uma lei que caracterizar a homofobia como crime, não temos um estado laico. Infelizmente vemos nossos representantes que foram eleitos com nosso voto, com discurso religioso para atacar nossa comunidade. Uma da conquista que o movimento vem adquirido é a visibilidade, quando vemos uma parada do orgulho LGBT como a de São Paulo com, mas de 4 milhões de pessoas .  

 

 Tirando a homofobia latente e os atos preconceituosos contra o público LGBT, quais seriam os outros problemas que a comunidade tem enfrentado hoje?

Faltam políticas públicas afirmativas para comunidade LGBT, vivemos em uma sociedade quantitativa, segundo a ONU 10% a 15% da população mundial tem orientação LGBT, isso em nosso município significa que 40 mil pessoas, que de certa forma estão sendo excluídas. Exemplo disso são nossas companheiras Travestis e Transexuais que estão fora das escolas.

 

 Os meios de comunicação vêm abordando questões referentes à homossexualidade no Brasil, principalmente em novelas onde os personagens enfrentam dilemas como aceitação da família, relacionamento homoafetivo e até personagens caricatos que tem "agrado" o público de certa forma. Você acha que isso é decorrência de um número maior de pessoas que têm assumido sua sexualidade ou a imagem usada pela mídia tenta criar um gay estereotipado para atrair audiência?

Sim, a mídia reproduz o que a sociedade deseja, pois ainda vivemos em uma sociedade heteronormativa. É um grande tabu de a população ver um beijo gay na novela das oito, mas é com muita naturalidade que a mesma população aceita cenas de sexo no mesmo horário nobre.

 

 Na sua opinião, como os movimentos vêem a abordagem trabalhada pela mídia? Quais seriam os pontos positivos e negativos desta exposição?

Positivo são a visibilidade e a denúncia efetiva de LGBT assassinatos em nosso país. Segundo o Grupo Gay da Bahia, a cada dois dias morrem um LGBT no Brasil por homofobia.
Negativo Falta de respeito com a nossa comunidade, por não conhecer realmente a luta dos movimentos sociais.

 

 Em maio, o STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou por unanimidade a união estável entre casais do mesmo sexo. Essa decisão foi vista como um avanço da justiça. Na prática essa união possuiu algum valor concreto ou não?

Sim, hoje temos os mesmos direitos dos casais héteros. Hoje o conceito de família passa a ser outro, famílias homoparentais ou monoparentais.


 Quais as ações desenvolvida pelo MGB na cidade, além da Parada do Orgulho LGBT?

Trabalhamos com prevenção junto as profissionais do sexo, com repasse de preservativos, material informativo e encaminhamentos para o programa de DST/AIDS, Seminários Municipais da Diversidade Sexual, Comemoração do Dia da Visibilidade Lésbicas, a realização do Miss Gay de Betim,  palestras em Faculdades e Universidades, participação em eventos no Brasil, como na Marcha Nacional de Luta contra Homofobia, etc.

 

 Neste ano foi comemorada a 10ª Parada do Orgulho LGBT e o público tem aumentado cada vez mais. Qual a porcentagem das pessoas que vão ao evento pela ideologia discutida? E esse crescimento do público, principalmente o heterossexual, seria uma maior aceitação da sociedade?

Acho que uns 20% participam pela a ideologia, estão ali realmente para garantia dos seus direitos, o público hetero presente vai por ser solidário, a causa de luta na conquistas dos nossos direitos que são negados todos os dias como de doar sangue que é um ato que salva vidas.

 

 A participação do público LGBT é muito pequena em eventos como conferências, seminários e debates voltados para o mesmo público. Porque é tão difícil convidar o “grupo” para esses eventos, diferentemente da Parada do Orgulho LGBT?

Infelizmente nosso público tem grande dificuldade de participação em evento de politização da nossa comunidade e estamos fazendo um trabalho de formiguinhas. Sabemos que não é fácil, a participação dos LGBT, mas aos poucos vamos sensibilizando a comunidade pela importância da sua participação e garantir da cidadania plena.

 

 Qual a relação do MGB com a Coordenadoria de Políticas Públicas Para A Diversidade Sexual?

A coordenadoria não foi oficialmente institualizada pelo poder público. Por três anos consecutivos, para a realização da parada do orgulho LGBT de Betim tivemos várias dificuldades de diálogo e respeito pelo movimento organizado, por isso temos grande dificuldade de trabalhar em parceria. Temos momentos conflituosos por não reconhecerem o trabalho sério do MGB. A Coordenadoria no tem uma verba específica para realização da parada. Não foi implementado um plano municipal de combate a homofobia, até hoje a diretriz da 1ª conferência de políticas públicas para comunidade LGBT não foi encaminhada para Câmara Municipal, este seria um dos papéis da coordenadoria. Além disso nós não temos uma companheira travesti ou um lésbica assumidamente na coordenadoria, isso só comprova a falta de respeito com Movimento Gay de Betim.

 

 No dia 1º de novembro, o MGB passou a fazer parte de uma das 237 organizações que compõem a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

Com a filiação, o MGB se torna a primeira ONG LGBT de Betim a ocupar uma cadeira na ABGLT. A filiação é fruto de muito trabalho sério com, ética, transparência, compromisso, integridade, diversidade e esforços para a conquista de uma sociedade igualitária.


BATE-BOLA

- Família: União.

- Amor: Eterno enquanto dure.

- Religião: Diversidade respeito às diferenças.

- Um sonho: Um mundo sem preconceito.

- Uma conquista: Ser afiliada a ABGLT.

- Preconceito: Pior coisa que existe.

- MGB: Luta pelos direitos de todos os LGBTs.

Adicionar comentário

Este espaço é fornecido para que os internautas possam expressar suas opiniões sobre o artigo postado. Para outros comentários clique aqui.


transparente