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Ferido por linha chilena, adolescente que sonha ser jogador de futebol vai ter perna amputada

20-07-2019Foto: Arquivo Pessoal

O garoto Gabriel Lucas Alves, de 15 anos, que sonha em ser jogador, vai ter a perna amputada. Ele foi gravemente ferido na altura dos joelhos por uma linha chilena quando andava na rua em Betim, no último sábado (20).

Até esta quarta-feira, o garoto já tinha sido submetido a duas outras cirurgias. O ferimento foi muito profundo, atingindo nervos, artérias e veias.

De apelido Feijão, Gabriel é jogador de futebol e já atuou em alguns times da região. O sonho dele é ser jogador profissional.

Conforme testemunhas, a linha chilena estava no chão, enrolou na roda de uma van e atingiu a perna de Gabriel, que aguardava no passeio para atravessar a rua. “Segundo relato da pessoa que o socorreu, a preocupação dele era: será que vou perder minha perna e nunca mais vou jogar bola? Meu sonho não pode ser cortado”, contou Regina Alves Rosa Nascimento, mãe de Gabriel, em entrevista à Itatiaia. Ela ainda fez um apelo:

“Creio que Deus pode ter sonhos maiores para ele e pode livrar ele desse peso e dessa fatalidade. E deixo uma conscientização para todos: linha de cerol chilena mata. Quando não mata, deixa sequelas. Meu filho está sujeito a perder a perna”.

Uma das cirurgiãs que operou Gabriel, Cristina Oliveira Ribeiro disse à Itatiaia que o atendimento rápido contribuiu para ele sobreviver, uma vez que Gabriel chegou ao hospital em estado grave em razão do sangramento intenso. “Foi identificado no procedimento cirúrgico que ele teve uma lesão na perna esquerda na artéria principal”, destacou. “Lesão grave, que foi preciso fazer um enxerto para revascularizar a perna. Hoje ele está estável, conseguiu fazer a revascularização, mas ainda corre o risco de perder a perna ou ficar com um dano na movimentação da perna esquerda”, explicou a médica.

Coincidentemente, a Guarda Municipal de Betim desenvolve uma campanha contra o uso do cerol. Produzida de forma clandestina, a partir de uma mistura de óxido de alumínio e quartzo, a linha chilena é mais cortante e resistente do que a linha com o cerol caseiro. A comercialização destes produtos é proibida em Minas Gerais, conforme estabelece a Lei Estadual 14.349/02. Mesmo assim, é vendido livremente em lojas e pela internet.

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