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Vereador Eutair Santos

entrevistaeutairsantosExercendo seu quarto mandato como vereador no município, Eutair Santos, hoje faz parte da bancada oposicionista da atual gestão.

O vereador concedeu entrevista ao portal e falou sobre a rejeição da população nos trabalhos realizados pelo Legislativo e pelo Executivo. A relação entre o governo e a Câmara, além do seu trabalho como Presidente da Comissão Pela Pacificação da Segurança Pública de Betim. Eutair conta que Maria do Carmo não será candidata pelo PT na eleição de 2016 e que o PT apresentará sangue novo disputa à prefeitura no próximo ano.

- Pesquisas de opinião pública apontam uma avaliação negativa dos vereadores, pela maioria da população. A que fatores o senhor atribui esse resultado tão negativo?

O desgaste da imagem pública da Câmara pode ser atribuído a fatores tais como: a desconfiança generalizada da população nos parlamentares, em nível nacional, decorrente das reiteradas denúncias de corrupção, a submissão da ampla maioria dos vereadores, que integram a base do Governo, aos caprichos do Poder Executivo, a inexistência de um posicionamento político-institucional mais autônomo e independente por parte dos legisladores, a visão distorcida da população, fomentada pelo Governo e pela mídia, que atribui à Câmara a responsabilidade plena pela gestão da cidade e ao distanciamento da maioria dos vereadores da dinâmica social efetiva.

- Como é definida a relação entre os vereadores e o governo hoje? A oposição é "descartada" pela atual gestão?

O Governo não dialoga com a Câmara, mas impõe sua vontade e pressiona os vereadores de sua base a votarem em favor de suas proposições. Projetos cruciais e polêmicos são protocolados pelo Executivo em caráter de urgência, na última hora, sem tempo hábil para análise e discussão. Salvo solicitações pontuais e individualizadas durante as sessões, a bancada de oposição raramente é consultada ou chamada para uma discussão prévia. Fica evidente, lamentavelmente, que o Executivo supervaloriza seu poder e abusa de sua influência política sobre os parlamentares, em detrimento do processo democrático.

- A gestão da ex-prefeita Maria do Carmo Lara foi marcada por críticas, principalmente na saúde e na segurança. A atual gestão que prometeu sanar esses problemas, durante o período eleitoral, hoje enfrenta uma crise ainda pior, somada a outros fatores. Durante o Governo de Maria do Carmo o senhor foi líder de governo na Câmara, isso dificulta seu trabalho como oposição atualmente?

É preciso ressaltar que, diferentemente da atual gestão, o Governo da ex-Prefeita Maria do Carmo pautou suas decisões cruciais, num diálogo articulado e construtivo com a Câmara, possibilitando uma atuação proativa dos vereadores. Na época, como integrante da base de sustentação do Governo e no período da minha liderança, dei o suporte necessário, mas nunca ignorei ou desrespeitei a oposição. Acredito que a oposição é importante para a democracia. Por isso não tenho dificuldade para realizar o meu trabalho parlamentar. Não sou oposição à cidade, ao que é bom para Betim. Sempre votei favorável aos projetos do executivo que são bons para a população. Mais do que atacar a gestão do Prefeito Carlaile, diante de sua evidente inoperância e ineficácia administrativa, minhas ações parlamentares primam pela preservação do bem-estar e dos direitos do povo betinense, propondo ajustes, reformulações e projetos que priorizem políticas sociais de inclusão e desenvolvimento humano.

- Os índices de violência em Betim têm aumentado de forma assustadora. O que deve ser feito para que o cidadão não se torne um prisioneiro dentro de casa?

Reduzir a violência é um desafio para o nosso país; dever do Estado Instituído e responsabilidade de todos nós. Por acreditar nesta premissa propus e instituí a Comissão pela Pacificação com representantes dos três poderes, das forças policiais e sociedade civil organizada com o objetivo de formular e operacionalizar um Plano de Ações Emergenciais contra a violência em Betim. Realizamos várias ações como: a audiência com o ex Governador do Estado Alberto Pinto Coelho que na época disponibilizou recursos para que a prefeitura implantasse o Centro de internação para Adolescentes Infratores, a ampliação do número de policiais para Betim e o início da construção do batalhão. Lamentavelmente, o Prefeito não viabilizou o Centro de Internação e os recursos não foram utilizados. A segurança pública não é prioridade para a atual administração. Ao invés de investir em políticas de prevenção o prefeito acaba com programas de esporte, de cultura e de educação integral contribuindo para o aumento da violência na cidade. Os cidadãos devem se unir e cobrar do poder público, ações efetivas e imediatas para a redução da violência no município e não se aprisionarem dentro de casa.

- Quais são as principais demandas da população para Betim atualmente? Que ações o senhor proporia para atender estas demandas?

Referenciado nas características socioculturais de Betim e nos dados apontados por pesquisas recentes, diria que as principais demandas da população estão centradas na implementação de políticas públicas destinadas à melhoria das condições de vida, tais como saúde, segurança, e educação. A principal ação que eu proponho é investir na educação; numa educação de qualidade que promova a segurança e a saúde por meio da prevenção, que qualifique e dê oportunidades para os jovens. Outra ação em relação à segurança é a intensificação do trabalho das polícias e a implantação do centro de internação para adolescentes. Na área da saúde é necessário um estudo profundo (diagnóstico) para implantar um projeto de saúde no município que garanta dignidade aos usuários.

- Quais suas principais críticas à atual administração e as alternativas viáveis para que Betim tenha uma gestão que atenda as demandas da população?

A população de Betim sofre as mazelas de uma má gestão pública municipal. A atual administração, não tem compromisso com o bem-estar das pessoas, prioriza nitidamente os desejos de grupos de interesses privados em troca de apoio político assumido durante a campanha eleitoral, em prejuízo das reais necessidades da maioria da população. Entendo que a principal tarefa do Gestor Municipal é sanear as contas públicas, reduzir a quantidade exorbitante de cargos comissionados e as despesas de custeio dos altos salários e gratificações e, por fim, garantir com qualidade os serviços básicos como saúde, educação, segurança e a manutenção da cidade.

- Sua principal bandeira de atuação sempre foi a educação. Atualmente, o senhor assumiu as bandeiras da segurança pública, limpeza urbana e da preservação ambiental. Por que você assumiu estas frentes de trabalho?

Na verdade, nunca abdiquei da minha luta por uma educação pública de qualidade e por uma política educacional democrática e inclusiva. Apenas mudei de estratégia para alcançar tais fins, deflagrando iniciativas e mobilizações a partir das dimensões sociais nas quais a educação, como um grande guarda-chuva, tem reflexos concretos. Assim, a crise da segurança pública e o crescimento alarmante da violência, o descaso com a limpeza urbana, a degradação do meio ambiente, demonstram o abandono da cidade por parte do governo. Essas frentes de trabalho foram assumidas pelo meu mandato porque representam demandas urgentes da população atualmente.

- Recentemente, o senhor entrou com um requerimento para que fosse realizada audiência pública no bairro Bueno Franco para discutir a reclamação dos moradores sobre o Parque Ecológico Edméia Braga. O resultado desta audiência teve um efeito rápido, a primeira exigência dos moradores foi atendida em menos de 72 horas. O senhor acha que audiências dessa natureza poderiam ser realizadas com mais frequências em outros bairros ao invés de ser apenas na Câmara?

Sem dúvida. Iniciativas como essa, além de valorizar e fortalecer a participação popular e o protagonismo social na gestão pública, produzem efeitos positivos na melhoria da qualidade de vida da população e promovem a reaproximação entre autoridades públicas e cidadãos. Estou á disposição dos betinenses para promover outras audiências públicas nas comunidades em busca de soluções para os problemas que afligem os moradores.

- Os governos federal e estadual, que são administrados pelo PT, tem sofrido duras críticas. Uma possível candidatura petista na próxima eleição disputando a prefeitura não pode ser prejudicada pelo desgaste do seu partido nessas administrações?

Cabe esclarecer que as críticas ao governo federal estão sendo potencializadas e direcionadas pela mídia conservadora para desestabilizá-lo. No entanto, o governo continua demonstrando seu compromisso republicano, ao promover, mudanças e reformas vitais para o desenvolvimento justo, democrático e sustentável do Brasil. Em Minas Gerais, Pimentel conta com a confiança dos mineiros e com certeza fará uma gestão eficiente e transformadora. A sua administração poderá ajudar o Partido dos Trabalhadores a ganhar o governo municipal e contribuir decisivamente com o sucesso da gestão em Betim.

- Segundo informações dos bastidores, seu partido apresentará sangue novo na disputa para prefeitura em 2016. Maria do Carmo disputará a eleição ou não? Entre os supostos novos candidatos do PT seu nome é um deles?

Ainda é cedo, o Partido não tem definições quanto às candidaturas para 2016. O processo ainda está em construção. Maria do Carmo tem afirmado que não é candidata a prefeita em 2016. Particularmente, sempre estive e estou à disposição do Partido e participarei intensa e comprometidamente nos debates pertinentes à deliberação das candidaturas majoritária e proporcionais.

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