rodoviaria02

EXCLUSIVO! Waldir fala sobre a crise política no governo

entrevistawaldirteixeiraO vice-prefeito Waldir Teixeira (PV), concedeu entrevista exclusiva ao BETIM ONLINE, onde falou sobre a crise política na atual gestão.

Waldir contou sua versão da história sobre o fim grupo político, sua passagem como prefeito em exercício e o motivo que pode ter levado o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), a retirá-lo do governo.

A pedido do vice, a entrevista foi realizada fora da prefeitura. 

- Antes de começarmos a entrevista, que refere-se principalmente à "crise política" existente na administração, gostaríamos que o senhor nos contasse como entrou na política e porque aliou-se ao prefeito Carlaile Pedrosa?

Entrei na política porque sempre fui liderança no bairro onde eu moro (Icaívera). E neste bairro, não tínhamos quase nenhuma estrutura digna para os moradores.
Então, eu e minha família resolvemos fazer algo pelo bairro com recursos próprios. Construímos um ginásio poliesportivo completo, uma escolinha de futebol, e demos apoio ao início de uma creche.
Mas a coisa começou a ficar pesada, pois eu utilizava recursos próprios, em um bairro que é esquecido pelos nossos administradores. Procurei apoio na prefeitura, mas infelizmente isso só é possível quando você tem uma ligação política. Então resolvi me candidatar para buscar esse apoio e dar continuidade ao trabalho.
Fiz a eleição com recursos próprios e me aproximei do Carlaile. Confiava muito nele, apesar de algumas pessoas terem me alertado sobre essa aproximação. Mas uma coisa sempre me incomodou, ele nunca quis se aproximar do trabalho social realizado no Icaivera.
No seu primeiro mandato, consegui o apoio para as seis creches. Nessa parceria, eu viabilizava toda a estrutura física do local, e a prefeitura pagava o salário dos funcionários e fornecia alimentação para os alunos.
Na administração da Maria do Carmo, os convênios foram cortados. Ano passado, as creches foram reabertas somente em setembro.
Penso que a educação infantil não pode ser utilizada como guerra política, independente da administração.

- Em algum momento Carlaile chegou a visitar alguma de suas obras sociais?

Nunca. Talvez porque ele esteja sempre ocupado. Mas tenho muito orgulho desse trabalho social que faço. Enquanto deputado ele poderia ter pedido alguma emenda para muita gente em Brasília, mas nunca fez.
Infelizmente, muitos só têm interesse político nas creches e não no social. No período que fiquei como secretário de Educação Infantil, buscamos recursos do governo federal para construirmos mais creches no município. E o dinheiro já está no caixa.

- Como está a relação com o prefeito hoje? O senhor tem sofrido alguma retaliação?

Hoje, a relação do governo comigo é a mesma de antigamente: nenhuma! Como vice-prefeito, nunca fui chamado para nenhuma reunião. E como secretário, não me dava voz ativa. Não tinha como resolver os assuntos das secretarias que assumi, pois era tudo barrado.
Igual ao período eleitoral (2012), onde também não era convidado para as reuniões de direcionamento da campanha.Tenho a ligeira impressão, que ele (Carlaile) não queria que eu fosse o vice na chapa dele. Pois o tratamento é totalmente distanciado, de uma maneira que eu sinta isso.
Com relação às retaliações, acontece da seguinte forma: se alguém falar que está do meu lado ou gosta de mim, vai ser demitido.

- As informações do governo chegam ao seu conhecimento?

Não! Mesmo que eu precise ou deseje saber de qualquer informação nada me é repassado.


- Muito se comenta que o vice não é encontrado na prefeitura. Qual seria o motivo?

Me afastei da prefeitura assim que ele entrou. Primeiro porque não me falou que estava voltando e fez um estardalhaço, soltando foguete e afirmando que eu queria tomar a prefeitura. Mesmo que houvesse esse desejo, seria impossível!
Então, me afastei porque o funcionalismo gosta de mim e, com certeza, se eu for para lá (prefeitura), eles (funcionalismo) vão pedir o meu apoio, e ficarão do meu lado e isso irá magoá-lo. E não quero magoá-lo!
Mas coisas vão chegar nos eixos na hora certa. O povo é inteligente, o funcionalismo é inteligente, eles sabem quem os defende. E com certeza a verdade vai vir à tona.
Não quis ir pra lá, porque seria um afronta a pessoa dele, ao contrário do que ele fez soltando foguete na prefeitura. Afinal, ele mesmo anda afirmando que, para ele, não sou do governo.

- A próxima pergunta é exatamente sobre isso. Em recente entrevista ao jornal Folha Vale do Paraopeba, o prefeito foi perguntado se o vice fazia parte do governo. Sua resposta foi: "Ele não faz parte do governo. Mas, por telefone, eu o disse que a responsabilidade dele continua porque ele é um vice-prefeito eleito pela cidade". O que o senhor tem a falar sobre isso? E que responsabilidade é essa?

Antes do Carlaile se afastar para realizar a cirurgia, tivemos uma conversa de meia hora na Infrater (empresa do irmão do prefeito), junto com Ciro Pedrosa. Ele falou de obras que ele gostaria de fazer na cidade. Mas não tinha nada documentado, nenhuma coisa escrita no papel. Agora como entender uma prefeitura que tem mais de quinze mil funcionários e uma arrecadação de quase 2 bilhões, sem saber de nada e sem nenhum relatório entregue nas minhas mãos.
Minha primeira reação após isso foi realizar uma reunião com todo secretariado e pedir o relatório do trabalho deles para conhecer a lógica da gestão do Carlaile. Foi a partir daí que comecei a entendê-la. Tenho comigo, a cópia de todo material que solicitei e averiguei a partir deste momento.
E não tenho poder nenhum dentro da prefeitura, pois se eu faço algo ele barra na hora, sem dúvida alguma. Se já fazia isso antes, imagina agora que ele não me considera do governo.
O que eu poderia fazer era continuar uma investigação e fazer um governo paralelo, mas não vou fazer. O que já obtive nesses 33 dias, já é o bastante para trabalhar por uma cidade melhor.
Posso somente fazer cobranças positivas, que serão benéficas ao governo, a cidade e a população.

- Enquanto prefeito em exercício, foram criadas as medidas de austeridade. Que tinham como principais objetivos: enxugar os gastos da máquina pública, criar um caixa positivo e melhorar o acordo com o funcionalismo. Com essas medidas também seria possível realizar alguma obra mesmo que em pequena escala?

Sim. As medidas foram tomadas no sentido de regularizar o caixa da prefeitura, e a nossa programação era que nós conseguiríamos quitar esse déficit de mais R$ 70 milhões até abril, fazendo um fluxo de caixa positivo, para que pudéssemos ter uma negociação mais suave com o funcionalismo.
A prefeitura deixou a desejar com relação a isso no último ano. E assim que assumi, vários sindicatos e lideranças me procuraram, reivindicando melhores salários. Eu os informei sobre o caixa vazio, e falei sobre as medidas que adotamos. E que a partir de abril, poderíamos fazer uma boa negociação. Desde então ninguém mais me procurou, e ficamos aguardando a continuidade das medidas através do Carlaile Pedrosa. Mas assim que ele retornou, não foi dado prosseguimento as medidas que fariam fluxo de caixa.
O funcionalismo tomou conhecimento disso, imediatamente reivindicou e entrou em greve. Uma greve desnecessária, se o fluxo de caixa tivesse sido positivo. Porque haveríam condições de negociar com eles um melhor aumento de salário.
Também poderíamos fazer algumas intervenções a partir e janeiro do próximo ano, pois já teríamos economizado R$ 220 milhões em gastos "desnecessários".
Intervenções estas, muito importantes para a população da periferia.

- Segundo fontes do governo, Carlaile não dará continuidade às medidas de austeridade. Qual o custo disto para a cidade e para a população?

Inicialmente, em números R$ 220 milhões. Para população, uma saúde pior, uma educação pior. Para o funcionalismo, um aumento de salário inferior a sua necessidade.
Acho que com essas medidas ele poderia fazer um ótimo governo. E, uma semana antes dele voltar, por telefone, informei que havia tomado medidas que seriam amargas para alguns, mas seriam benéficas para o seu governo e para o povo de Betim. Ele me parabenizou e disse que estava tudo certo!

- Em matéria publicada no jornal Estado de Minas, em 22 de fevereiro de 2014. A notícia afirma que o retorno antecipado de Carlaile foi motivado por discordância com a forma que a prefeitura vinha sendo conduzida pelo vice, que estava ligado a grupos empresariais que atuam na cidade. O que realmente aconteceu?

Eu tive o apoio do empresário Vittorio Medioli, que tanto ajudou o prefeito em 20 anos. Usei da ajuda dele, porque o Carlaile pediu que eu procurasse o Vittorio para me aconselhar. Então, não foram os empresários, foi o empresário.
Os demais foram procurados para que eles dessem uma contrapartida para município. Assinei com o shopping Monte Carmo uma contrapartida de R$ 6 milhões para construção do viaduto. Com a Embraurb, que está realizando uma obra na avenida Amazonas, pedi uma creche como contra partida. Além de outras, onde solicitei a construção de mais duas creches e a reforma dos parques ecológicos que estão abandonados.
A intenção era que essas empresas também investissem de alguma forma, deixando algo benéfico para população. Mas o Carlaile cancelou tudo assim que retornou.
A volta dele foi após eu ter deixado de pagar a fatura de oito milhões, novecentos e noventa mil, para uma empresa que estaria fazendo medições de obra.
Olha, se a cidade não tinha obra o que estava sendo medido? E, mesmo que tivesse, essa obra tinha o projeto pronto ou a obra ainda iria ser iniciada. A revitalização da Avenida Amazonas custa seis milhões e novecentos mil, como é que poderíamos estar pagando R$ 8 milhões a título de medição de obra? Falei que não pagaria e não paguei. Também solicitei o cancelamento deste contrato e um outro com os mesmos termos, com a Engesolo, porque entendo que os
funcionários da própria prefeitura podem realizar esse serviço. Fiz isso numa quinta-feira à tarde, e na sexta-feira pela manhã, ele entrou na prefeitura.
O "estopim" da vinda dele foi isso! Até então, ele estava satisfeito com as medidas tomadas, segundo o que ele mesmo me falou por telefone.

- Além da dívida deixada pela gestão anterior, já existe alguma dívida desta administração, referente ao ano passado?

Mais de R$ 70 milhões. E ao tomar conhecimento disto, fiz a seguinte análise - Maria do Carmo fez um governo péssimo. Criticado e combatido por mim enquanto vereador na gestão dela. Em quatro anos, ela deixou R$ 205 milhões, média de R$ 51 milhões por ano. E neste período, ela teve que apoiar os candidatos a deputado e depois sua reeleição. Veja bem, se no primeiro ano sem eleição nenhuma já foram R$ 70 milhões, em quatro poderíamos chegar a R$ 300 milhões. Iríamos à falência!
Foi onde tomei as medidas de austeridade para consertar isso. Porém, quando chegaram nos contratos que citei, a coisa pegou. E não sei por qual motivo.
Eu não paguei e não sei se ele pagou algum após o ele reassumir a prefeitura.

- As exonerações feitas por Carlaile após o retorno, chegando a impedir os secretários de entrarem em suas salas e retirarem seus pertences pessoais, com a presença da polícia. Como você viu essa atitude?

Eu acho que cada um age de acordo com a sua maneira, educação e visão política. Mas foi um atentado ao ser humano. Ser retirado de um cargo com a polícia na porta, isso é humilhante.
Essas pessoas foram indicadas por ele, e eram de confiança dele, nos oito anos como prefeito anteriormente e no início deste mandato.
Não sei porque ele fez isso. Chegou a sair no jornal que foram pessoas que eu indiquei. Eu apenas coloquei o presidente da Funarbe na secretaria de gabinete para que ele tivesse duas funções.
Nós estávamos fazendo economia para o governo. Ao reduzir o meu salário, foi uma demonstração de que nós precisamos fazer uma economia. Começando de cima para baixo.

- Qual o principal motivo do fim do grupo político?

O grupo confiava plenamente na administração Carlaile, mas não tínhamos conhecimento de nada que acontecia. Quando assumi a prefeitura as coisas vieram à tona, houve um descontentamento do grupo que o levou a rachar. Mas no sentido do bem!
Se o Carlaile voltasse e desse continuidade às medidas, estaríamos fazendo um grande trabalho.

- A forma como o Carlaile conduziu a administração após assumir a prefeitura, "privilegiando" pessoas desconhecidas para importantes cargos, e esquecendo das lideranças e apoiadores pode ter prejudicando o governo?

Eu vejo da seguinte forma: foi uma promessa dele para os candidatos - quem tivesse mais de 300 votos, teria um cargo com ele. A prefeitura tem quase 2 mil cargos comissionados. E, se ele desse esses cargos no primeiro mês, ele estaria atendendo a promessa feita para quem o ajudou a ser eleito.
Muitos me procuram dizendo que não receberam cargo nenhum, e reclamando que pessoas de partidos contrários e que não ajudaram em nada, estão em cargos bons no governo.
Eu acho que isso foi o grande erro dele. Afinal, valorizou só quem não o ajudou.

- Segundo informações publicadas no BETIM ONLINE, o senhor foi ameaçado de morte e estaria andando em um veículo blindado. Além disso, o senhor também estaria se despedindo da carreira política por decepções pessoais e a conduta administrativa do prefeito. Essas informações são verdadeiras?

Não posso falar muito sobre isso! Realmente sofri uma ameaça, e tomei as providências cabíveis. E por questões de segurança, estou andando em um veículo blindado.
Decepção com o Carlaile eu tive, e foram várias. Mas não vou abandonar minha vida pública por conta disso. Seria uma falta de respeito com as pessoas que acreditam e acreditaram em mim, se eu fizesse isso.
A cidade está passando por um momento complicado, e a população está sofrendo com isso. Vou continuar minha luta para uma Betim com mais qualidade de vida, da mesma forma que fiz quando fui vereador e representei sozinho a oposição em desfavor da gestão Maria do Carmo. Já que não me darão liberdade enquanto vice, vou fiscalizar e cobrar em nome da população que me elegeu.

- Hoje muitos nomes são "cogitados" como candidatos a prefeito na eleição de 2016. Principalmente devido as críticas da população quanto a administração. O senhor seria um desses nomes, já que não vai abandonar a carreira política?

Olha, se o partido, o grupo político, o funcionalismo e a população acharem que meu nome é bom, ficarei muito honrado.

Adicionar comentário

Este espaço é fornecido para que os internautas possam expressar suas opiniões sobre o artigo postado. Para outros comentários clique aqui.



Publicidade