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O fim de um reinado marcado pela imposição do medo

A prisão de uma quadrilha de roubo de veículos e de tráfico de drogas no início deste mês levou moradores do bairro Citrolândia, à delegacia para agradecerem. Reação inusitada, segundo a polícia, mas que se explica diante da opressão estampada nos muros marcados de bala e na história da comunidade.

Por décadas, a população local teve que respeitar toques de recolher e conviver com tiros à luz do dia. Uma era de violência comandada por Felipe Souza da Cruz, de 28 anos, o Jiraya, em alusão ao “incrível ninja” do desenho de TV.

Cruz, preso em junho deste ano, cresceu no Citrolândia, onde conhecia todo mundo. Ele usava essa popularidade para impor sua força. Se alguém fosse “X9” (dedo-duro), seria morto.

A ficha criminal de Jiraya tem 15 páginas com a descrição de nove inquéritos policiais, sendo três por homicídio. Em um deles, a vítima foi sua própria mulher, morta a tiros em 2015. O histórico inclui quatro passagens por tráfico de entorpecentes e duas por porte ilegal de armas.

“Ele é um bandido conhecido por portar armas como sinal de intimidação e fazer valer sua ordem”, contou o delegado Artur Alberto Neves Vieira, do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc).

Condenado a nove anos e oito meses por tráfico de drogas, Jiraya estava foragido desde 2009. Foi preso em 22 de junho, na casa de uma de suas três mulheres, em Itatiaiuçu, na região Central de Minas. Durante a transferência dele para o presídio, a polícia descobriu que havia um plano de resgate por parte de seus comparsas e precisou alterar a rota e reforçar o policiamento.

Esquema. Mas a prisão de Jiraya não bastou para que ele deixasse de dar ordens e impor o medo. É que, de dentro da cadeia, ele continuou comandando por meio de uma legião de “súditos”. Cinco deles, no entanto, também foram presos na semana passada. Além disso, a polícia acabou com um esquema de compra de maconha que vinha do Paraguai e era vendida ao bando pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

Para comprar e transportar a droga, o grupo praticou ao menos 20 roubos de veículos em seis meses, de acordo com a polícia. “Era o grupo mais perigoso de Minas. Eles faziam ameaças, roubavam e matavam”, contou o delegado, responsável pela operação Sem Fronteiras.

“Bairro está pacificado”, diz delegado
O grupo comandado por Jiraya no Citrolândia, em Betim, é conhecido como “Bonde do Frei”, em alusão à rua Frei Cândido, onde o tráfico de drogas era intenso.

A sigla BDF está presente no bairro, assim como as pichações “X9 vai morrer” e as marcas de tiros. Mas, segundo a polícia, o bando está desarticulado. “Houve pacificação no local. Tanto que a comunidade, antes refém da criminalidade, pôde ir à delegacia agradecer”, comentou o delegado Artur Alberto Neves Vieira.

Mas Vieira lembra que, embora o grupo tenha perdido a força, nem todos foram presos. Dos cerca de 50 suspeitos de envolvimento no esquema de compra e venda de drogas entre Paraguai e Minas, 12 foram presos até o momento.

Segundo o delegado, outros indiciamentos serão feitos neste ano. Um dos mais procurados é Gutemberg de Araújo, 23, o GT, braço direito de Jiraya. Ele conseguiu fugir durante ação da polícia.

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