Vereador Welinton "Sapão"

entrevistaWelinton Sandro de Abreu, mais conhecido como Sapão, exerce seu segundo mandato como vereador na Câmara. Foi o vereador mais votado da cidade na eleição de 2012, obtendo mais cinco mil votos. Na eleição seguinte, em 2014, disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa e teve um dos slogans de campanha mais conhecidos de Betim.
Hoje, Sapão que não compõe mais a base no governista, e é um dos pré-candidatos a prefeito na eleição de 2016.

- Quase que por unanimidade, os betinenses não têm visto com bons olhos o trabalho realizado pelos vereadores. Tendo sido eleito como o vereador mais votado na última eleição, você consegue apontar por que tamanha falta de credibilidade da população no Legislativo?

Tenho certeza que o segredo é ser sincero com todos, principalmente, com seus eleitores. O político está desacreditado por prometer mundos e fundos e depois se fazer de desentendido. Você precisa criar seu diferencial e eu tenho como valor ético ser honesto com meus eleitores. Promessa feita, promessa cumprida! Aliado a isto, você nunca deve se esquecer das suas origens. Um vereador precisa estar próximo do povo para que seu trabalho apareça. É simples, não prometa o que não poderá cumprir. Caso promete, mova o universo e não deixe de cumprir.

- O Executivo tem conseguido aprovar medidas impopulares com certa facilidade na Câmara. Ter deixado a base governista foi um decisão tomada baseada no péssimo trabalho realizado pela atual gestão ou uma estratégia política?

Minha saída da base não é uma estratégia e, sim, um posicionamento, pois não estou de acordo com algumas atitudes do governo Carlaile Pedrosa perante a nossa população. Coisas que foram prometidas pelo governo que não foram cumpridas, principalmente à minha base eleitoral. Tínhamos alguns compromissos acordados durante a campanha e não foram cumpridos, como obras e pequenas intervenções pensando no coletivo, principalmente, em lugares mais carentes. Chegou um momento que eu precisei tomar um posicionamento, pois eu não poderia ficar no meu mandato com um governo que não cumpriu os acordos, não comigo, Sapão, mas com a população. Como nós representamos o povo, isto reflete diretamente no nosso trabalho de vereador. Não se trata de uma estratégia política, mas uma decisão política, de caminhar isolado do governo e ter um posicionamento politico próprio. Não faço parte de nenhum grupo dentro da câmara, minha caminhada é independente. Voto o que eu entendo que é bom para a cidade. E aquilo que for bom, mesmo vindo do governo, eu voto favorável. Todos sabem de minha caminhada política. Tem ainda a questão partidária. Eu era de um partido que fazia parte da base do governo, houve uma intervenção do Estado. Por isto achei pertinente sair da base e futuramente do partido. Minhas escolha é caminhar ao lado do povo.

- Betim conseguiu eleger diretamente apenas um deputado na eleição de 2014. Qual aprendizado você obteve quando disputou a eleição?

O quadro das últimas eleições mostrou que o povo não estava satisfeito com seus políticos ou com os acontecimentos políticos atuais, pois tivemos um número de votos nulos assustador. Foram mais de 35% de votos, entre abstenções, nulos e brancos. Minha participação foi muito positiva. Apesar dos pesares, tivemos uma votação expressiva: quase 28 mil votos. Não fizemos dobradinha com nenhum candidato à deputado, por isto, nossa campanha foi voltada para o nosso público, ou seja, para o meu eleitor. Nossa campanha foi diferente e perdemos por pouco, talvez, no detalhe. Nosso grupo fez uma avaliação do resultado e vimos que saímos fortes, fortalecidos, pois respeitamos sempre o voto do cidadão betinense, que votou em quem ele achou que representaria nossa cidade. O deputado que foi eleito por Betim teve 90% dos votos fora da cidade. Isto deve analisado.

- Você se manifestou como pré-candidato à prefeito na próxima eleição. Você se considera preparado para entrar na disputa eleitoral contando apenas com dois mandatos de experiência e os mais de cinco mil votos que o elegeram vereador?

Quanto o assunto é uma prefeitura, não podemos basear apenas na experiência administrativa. Afinal, se pensarmos que os dois melhores mandatos de Maria do Carmo e Carlaile Pedrosa aconteceram quando eles não tinham experiência como prefeitos. Tenho uma boa experiência de dois mandatos como vereador, uma campanha para deputado estadual, que, com certeza, irão me ajudar. Uma coisa é certa, você como prefeito não administra uma cidade sozinho, mas com um grupo, com pessoas. E por isto, você tem que saber fazer suas escolhas no quesito equipe. Você é, digamos assim, o chefe da casa. Hoje pelo clamor das últimas eleições, as pessoas querem apostar em algo novo, a famosa terceira via. Este, no entanto, terá que fazer uma boa gestão. Temos em mente, que o novo gestor da nossa cidade tem que ter uma equipe técnica qualificada e, acima de tudo, uma equipe que pense no servidor, e pense, de fato, no povo da cidade. Se você for olhar, a cidade não caminha sozinha, sem o servidor. Quem faz a engrenagem funcionar é o servidor público de carreira. Infelizmente, ele está desvalorizado. Nos últimos mandatos, ele ficou esquecido e pouco valorizado.

- A população espera por mudança política no próximo ano, tanto na Câmara quanto na prefeitura. Você acha que haverá uma renovação significativa nas cadeiras do Legislativo? Será que a cidade elegerá um prefeito que não faça parte do eixo partidário PT/PSDB, mas sim da chamada terceira via?

Se você for olhar as vozes da rua, o clamor popular, o povo quer mudança. Não sei te dar números do que vai ser renovado no Poder Legislativo, pois é uma eleição muito pessoal. O povo gosta de votar no vereador por que se identifica com ele. As pessoas não querem mais esta polarização PT/PSDB na cidade. Isto é fato. Este quadro só muda se acontecer um fato muito inusitado. As pessoas querem um novo ar de política na cidade. As pessoas querem acreditar num novo nome, num novo momento político pra nossa cidade. A eleição de 2016 será uma eleição diferente na cidade, até por que são dois turnos Teremos mais vias colocando o nome à disposição. Talvez, 3 a 4 nomes no final. No meu ver, será a eleição mais emocionante que já tivemos até hoje.


- Em 3 anos, nenhuma das medidas apresentadas pelo governo para diminuir os problemas na saúde e na segurança obtiveram resultado. Na sua opinião, não seria este o momento de uma mudança no secretariado?

Na verdade, o governo está inerte há 3 anos. Nenhuma medida mais drástica foi tomada em relação ao que foi proposto durante a campanha. A questão da saúde e da segurança vem se perdendo há algum tempo e chegou num estágio crítico. A população acreditou no projeto do atual prefeito e deu a ele uma votação maciça acreditando que ele fosse reestruturar a nossa cidade. Mas nada disto aconteceu. Agora, você trocar um secretário faltando um ano de governo é como remendar calça velha, não vai adiantar nada. Deveria ter feito isto no segundo ano de governo, por que teria um ano para planejar a cidade e um ano pra fazer as mudanças e dois anos para executar. Agora ele tem que trabalhar pra fechar as contas e entregar a prefeitura em dia. Sabemos que é muito difícil a situação financeira da cidade. É por isto que você vê tantos projetos impopulares indo pra câmara: taxa de lixo, a volta do IPTU, realmente, impostos para fazer caixa e entregar a prefeitura equilibrada, coisa que acho realmente não vai acontecer.

- Para 2016 foram cortados investimentos na cultura e no esporte. Com isso, poucos eventos que beneficiam a população de forma direta ou indireta serão realizados. Na opinião, o prefeito não deveria cortar a folha de comissionados que apenas ocupam cargos com altos salários, mas não apresentam nenhuma "alternativa" para resolver os problemas do município?

Não só acho como tenho certeza. É preciso ter equilíbrio, pois um governo precisa dos cargos políticos e dos cargos técnicos. Não querendo ser redundante, mas quero bater na tecla de que o servidor público efetivo, precisa ser valorizado. Você tem mão de obra qualificada na prefeitura que é o servidor. Por isto você não precisa sair prometendo emprego em cada esquina para fazer uma campanha eleitoral. O que aconteceu na cidade foi isto. Em cada esquina que você passava, ia prometendo emprego. A máquina foi inchando, inchando a máquina e chegou o momento no qual a gente vê ai este grande número de cargos comissionados e alguns deles, a gente entende que são desnecessários. Outros trabalham. Mas, a maioria não tem grande efetividade e que contribui ao ponto de dar retorno para a nossa cidade. Por isto a gente fala em planejamento. O próximo gestor tem que ter este equilíbrio e fazer este planejamento, antes de fazer um compromisso político. Ele precisa ter planejamento para saber como vai gerir a cidade. Você falou dos recursos da saúde, mas não foi só isto. Perdemos investimentos em infraestrutura, em esportes. Não temos investimentos maciços na segurança, pois se diz que é obrigação do estado. Mas, é preciso ter consciência que começa com o município. Todos que disputarão as eleições precisam ver isto como muito carinho, por que este modelo que está aí não funciona.

- Como pré-candidato você já tem alguma proposta em mente, baseado nos problemas que a população vem sofrendo?

Na verdade, este modelo estabelecido em criar propostas de governo para a cidade, sejam elas, 13 propostas ou 45 propostas, nenhuma delas saiu do papel. Na verdade, foram criadas por grandes empresas de comunicação que colocaram seus melhores marqueteiros. Minha pré-candidatura está na contramão da história, pois queremos fazer uma proposta onde os betinenses sejam ouvidos. Ouvindo a dona de casa, o porteiro, o engenheiro, o médico, o servidor público. Ouvindo realmente as pessoas e depois disto, nós vamos elaborar um plano de governo que venha de encontro com a realidade da cidade. Sem esta coisa de fazer um plano de governo descompromissado para o povo. Pois quem faz a cidade são as pessoas. Não é meu marqueteiro, não é meu jornalista e não é meu coordenador de campanha. Somos apenas porta-voz. Já iniciamos esta caminhada, ouvindo as pessoas, dialogando e descobrindo o sentimento das pessoas em relação ao governo, o que tem que mudar e o que tem sido feito em cada região do município. Tenho certeza, que iremos agradar a maioria dos betinenses.

- Qual mensagem você deixaria para a população neste novo ano que se inicia?

Desejo a todos os betinenses que tenhamos mais saúde, segurança e que as famílias voltem a sair nas ruas. Infelizmente, vivemos numa cidade onde as pessoas se comunicam pelo WhatsApp, pois não podem levar seus filhos até a praça. Estamos reféns da nossa própria liberdade, que nós possamos ter uma Betim diferente a partir deste ano e que Deus possa transformar a vida de nossa cidade. Feliz ano novo para todos nós! Saúde, Paz, Amor e muitas Alegrias para toda nossa Betim!

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