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Martielli Almeida - Plus Size & Plus Linda

entrevistamartiellialmeidaJá se foi a época em que mulheres magras simbolizam o padrão ideal do corpo perfeito. Hoje há espaço para todas. Principalmente para as gordinhas, as plus size.

São elas que ditam a moda para as mulheres que tem dificuldade de encontrar uma roupa no tamanho ideal.

O mercado de vestuário para plus size é o que mais vem crescendo no país nos últimos anos.

Mas você sabe o que significa plus size, como elas vivem o dia a dia? Pois saiba que é possível viver bem e ter orgulho de ser uma gordinha.

Para isso, entrevistamos a jornalista e blogueira Martielli Almeida. Em seu blog (clique aqui), ela dá dicas de moda e beleza para as gordinhas arrasarem em uma festa ou evento, sem se preocupar com os "olhares tortos" de muitas pessoas.

Conheça então o dia a dia de uma plus size.

- O que é plus size?

Plus size é um termo da língua inglesa e sua tradução ao pé da letra é “mais tamanho”. O nome foi dado pelos norte-americanos para modelos de roupas acima do padrão convencional usado nas lojas, ou seja, Plus Size = Tamanho Maior (outra tradução), e segue acima do tamanho 44 de manequim. Esta é uma forma de incluir modelos maiores ao mundo da moda e aumentar o número de roupas vendidas. Mas aqui no Brasil, o termo Plus Size também está sendo usado como um jeito estilosinho de chamar as gordinhas. Quando uma gordinha é chamada de Plus Size, ela recebe bem, porque o nome não agrega nada pejorativo.

- Você possui um blog com dicas de moda para as mulheres plus size. Quando e porque surgiu a ideia?

Sou plus size "original de fábrica"! Nasci gordinha e nunca soube o que é ser magra. Mas os meus quilinhos nunca me impediram de fazer nada ou usar algo que eu estivesse afim. E de vez em quando eu ouvia alguém dizer: “Você é uma gorda que não parece gorda”. A frase é até engraçada, mas me fazia pensar: “Como assim?” Então entendi que as pessoas viam em mim alguém que não colocava no formato do corpo a culpa pelas suas frustrações. E aí pensei que poderia ajudar muitas gordinhas com baixa auto estima dividindo as minhas experiências. Quero deixar bem claro que no meu blog eu não faço apologia à obesidade, a minha pretensão é levantar a bandeira da autoestima e do viver bem! Acredito que, se a saúde está ok, temos mais é que ser feliz do jeito que somos!

- O mercado de vestuários plus size tem crescido muito. Ficou mais fácil encontrar a roupa certa?

Melhorou demais. Porque o que uma gordinha quer não é apenas uma roupa que lhe sirva, mas uma roupa que a faça sentir-se linda, uma roupa que realce a sua beleza voluptuosa. E mais do que encontrar roupas de tamanhos grandes, com a expansão do mercado plus size, podemos encontrar roupas de boa qualidade e com modelos atuais, seguindo as últimas tendências da moda! E é isso que toda mulher, de qualquer tamanho, quer!!!

- Em Betim, existem lojas voltadas para esse público ou ainda é necessários buscar em cidades vizinhas?

Temos lojas ótimas aqui em Betim onde podemos encontrar desde modelos casuais, para o dia-a-dia, até belíssimos vestidos de festa. As grandes lojas de departamento dos shoppings também têm oferecido lindas coleções plus size e com preços super em conta. Mas gostaria de dizer que, mesmo nas lojas especializadas e nas coleções das lojas de departamento, nem sempre a gordinha vai encontrar aquilo que procura de maneira fácil. A minha dica é: não desanime! Temos que considerar que o mercado plus size é relativamente novo e ainda não oferece exatamente tudo o que uma gordinha quer. Tenha paciência e continue procurando o seu modelito ideal! Pode demorar um pouquinho, mas você vai encontrar!

- O que uma gordinha nunca pode vestir? E o que sempre lhe cai bem?

Nunca use roupa apertada, com numeração menor que o seu tamanho. Isso é muito deselegante. E vamos combinar que é deselegante pra todo mundo. Quanto ao que sempre cai bem, não existe uma regra, porque também não existe um padrão de gordinha. O que eu sempre digo é que a gordinha tem que conhecer bem o seu corpo e descobrir nele o que ela acha mais bacana, o que ela curte mais. E aí, o próximo passo é escolher um modelo que evidencie o que ela gosta e disfarce o que ela não acha tão legal. E na hora da escolha lembrar sempre de dois grandes amigos: O bom senso e o bom espelho. Não falha nunca!

- Existe uma preocupação mundial com relação ao sobrepeso, e os problemas ocasionados por ele. Como é para uma pessoa que não se encaixa nos padrões taxativos do corpo ideal, mas que se sente bem consigo mesma, lidar com a saúde e com a educação alimentar?

Assumir que você é gordo, ou plus size, se preferir, não é assumir uma vida de desleixo consigo mesmo. A saúde deve estar sempre em primeiro lugar. E se o peso está prejudicando a saúde, a pessoa deve emagrecer, ou deve tomar cuidado para não engordar. Mas posso afirmar que gordura não é sinônimo de doença, assim como a magreza não vai significar que a pessoa é saudável. Mas apenas um médico pode dar essa garantia. Pra mim, educação alimentar não quer dizer comer pouco, mas comer bem, comer alimentos saudáveis e que vão contribuir para o seu bem estar. Acredito que cuidar da alimentação é um dever de todos, sejam gordos ou magros, porque o alimento é o combustível do nosso corpo.

- Você tem uma alimentação balanceada?

Acho que balanceada não seria o termo certo pra classificar a minha alimentação. Prefiro classifica-la como saudável. Eu sempre incluo verduras (cruas e refogadas) na minha alimentação. Evito frituras, mas não deixo de comer carne. O famoso combo arroz-com-feijão também está sempre presente. Também evito massas. Mas não sou radical não. Se estou afim de comer alguma coisa eu como. Mas pra mim, comer não significa se entupir. Odeio aquela sensação de ficar cheia demais, além de achar desnecessário comer além da conta. Não sou daquelas que fica comendo o tempo inteiro. Gosto de ter as refeições definidas. Raramente como pizza, hambúrguer, cachorro quente, salgadinhos e outras guloseimas do tipo, mas também não as excluo. Minha mãe é a grande responsável pelos meus hábitos alimentares. Ela sempre cuidou da nossa alimentação lá em casa. Nunca deixou de incluir verduras nas refeições e nunca exagerou nas massas e frituras. O meu maior pecado alimentar são os doces. Não consigo recusar. Faço o que eu posso. Procuro, por exemplo, não ter doces em casa, assim eles ficam mais longe do meu alcance. Mas para mim, evita-los é o mais difícil.

- Atividades físicas, mesmo que seja uma leve caminhada é recomendada para todos. Você pratica algum exercício físico?

Sempre que tenho a oportunidade falo sobre atividades físicas e a sua importância em meu blog. Explico para os meus leitores que a prática da atividade física é necessária e que faz bem pra um tantão de coisas. E que o emagrecimento é apenas uma das consequências da realização de exercícios físicos. Eu estou meio relapsa com as atividades físicas, tenho que confessar, ainda não fiz nada neste ano. Mas já me programei pra recomeçar a minha malhação agora em março.

- O preconceito afeta diretamente a autoestima das pessoas. Você já teve vontade de mudar seu corpo alguma vez por conta disso?

Claro! Várias vezes. Já fiz inúmeras dietas e também tomei muito remédio pra emagrecer. Mas eu fazia isso pra agradar as outras pessoas e não por mim. Eu me olhava no espelho e gostava daquilo que estava vendo. Eu me arrumava pra sair e me sentia linda. Mas aí, sempre vinha um parente ou um amigo inconveniente que fazia um comentário que me jogava lá embaixo, destruía toda a minha auto estima. Eu vivia numa contradição: eu me curtia mas era criticada pelas pessoas. E então tentei emagrecer , tentei mudar, não por mim, mas pelos outros. E foram os piores momentos da minha vida. A cada tentativa para me emagrecer eu me enchia de esperanças e me consumia em frustrações ao perceber que, mesmo depois de muito esforço, não tinha alcançado o resultado esperado. A transformação do meu modo de pensar e de encarar as dietas começou à partir da leitura de uma frase do doutor Alfredo Halpern, médico endocrinologista que participa do programa Bem Estar da TV Globo. Ele disse o seguinte: “Tá gordinha, feliz, saudável? Fica assim!”. Parece simples, mas foi a primeira vez em toda a minha vida que ouvi uma pessoa me dizer que eu não precisava mudar. E essas palavras ficaram ecoando na minha mente e no meu coração.

- Uma plus size, lida melhor com bullying do que as "gordinhas convencionais"?

Quando uma mulher, independente da circunferência da sua cintura se gosta, se cuida, se valoriza e, acima de tudo, sente orgulho de si mesma, ela consegue uma luminosidade diferente, e isso muda a forma das outras pessoas enxergá-la. Quando você se aceita e se assume até o bullying desaparece, acredita? Se tem quem ache o gordo feio? Tem sim! (O que aliás, é direito seu achar qualquer coisa feia ou bonita, mas não confunda isso com sair ofendendo as pessoas por aí, ok?). Mas também tem quem ache bonito. E se eu tiver que ir pela opinião de alguém, quero ir sempre pela mais positiva!

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